Casa do Cante – oficina

Por em 15 de Novembro de 2013

A Casa do Cante do concelho de Reguengos de Monsaraz vai receber no sábado, dia 16 de novembro, entre as 10h30 e as 13h, uma oficina de Cante Alentejano organizada pela MODA-Associação do Cante Alentejano e pelo Município de Reguengos de Monsaraz. Para este workshop foram convidados os grupos corais dos concelhos de Reguengos de Monsaraz, Mourão, Moura, Portel, Évora, Viana do Alentejo e Redondo.

José Rodrigues dos Santos, antropólogo e profundo investigador sobre o Cante Alentejano, vai dirigir esta sessão de trabalho que visa promover uma reflexão sobre a prática do Cante e as “maneiras de cantar”, tendo como preocupação de base a autenticidade e a afirmação das características essenciais que lhe dão forma e identidade. No encontro da MODA realizado em abril, em Cuba, José Rodrigues dos Santos dirigiu um workshop sobre o mesmo tema, dialogando e interagindo com os cantadores e mestres, para demonstrar algumas das características do Cante, nomeadamente a velocidade (ou lentidão) da interpretação, a acentuação, a ornamentação ou a liberdade dos solistas. Este é um tema cujo tratamento foi solicitado por cantadores e mestres que querem aperfeiçoar as suas “maneira de cantar”, o que tem sido feito com exemplos práticos, utilizando determinadas modas.

Não se pretende com esta ação ensinar ou interferir no modo de ensaiar de cada mestre, solista ou cantador. Pretende-se antes, que cada um possa mostrar e evidenciar os seus conhecimentos e os seus métodos, para que todos possam colher resultados dos exemplos apresentados e os possam utilizar no seu trabalho dentro dos grupos.

A oficina de Cante Alentejano pode servir também de incentivo para que alguns mestres ou cantadores ganhem motivação para realizarem ações e demonstrações semelhantes com os seus grupos, nas escolas ou nas localidades da sua área de intervenção. Podem igualmente contribuir para que se realizem workshops abertos à comunidade nas sedes dos grupos ou em coletividades que se revelem um meio interessante de atrair potenciais cantadores para o Cante.

A MODA decidiu realizar três Oficinas de Cante dirigidas a todos os grupos corais alentejanos. A primeira realizou-se na Casa do Alentejo, em 26 de outubro, para os grupos corais da região de Lisboa e de Setúbal, e teve a participação de 18 grupos corais e um total de 65 cantadores, essencialmente responsáveis, mestres, “pontos” e “altos” dos grupos.

José Rodrigues dos Santos afirma que “uma das conclusões mais interessantes que retirámos do trabalho de investigação sobre as “Dinâmicas do Cante Alentejano” foi a seguinte: O Cante é fundamentalmente uma maneira de cantar. Mais precisamente, um conjunto de maneiras de cantar que, sendo diferentes entre elas, têm características comuns, que distinguem o Cante relativamente a outras formas musicais populares, incluindo as outras formas presentes no Alentejo. E o que é que, na nossa ótica, caracteriza e distingue a maneira de cantar própria do Cante? A investigação permitiu identificar três características principais: a riqueza da ornamentação, a limitação e a acentuação dos tempos fortes e a liberdade relativa com a métrica. Por fim, a lentidão da interpretação, que é a condição material indispensável para os precedentes atributos”.

 

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