Centro de Arte da FEA com novas exposições

Por em 11 de Abril de 2019
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O Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, inaugura no dia 13 de abril, às 18h00, duas grandes exposições: STUDIOLO XXI – Desenho e afinidades e Maria Lino – Lâmina olhar animal.

Tomando como ponto de partida o Desenho e o Objeto, o novo ciclo artístico do Centro de Arte e Cultura – Fundação Eugénio de Almeida – traz para a primeira linha estas duas manifestações de ordem estética e comunicativa que, são por si, as expressões primordiais da linguagem e manifestação artística. Desenho e objeto são assim entendidas como a expressão primeira da linguagem artística. São lugares de conhecimento, de realização e processos criativos. São lugares de partida e lugares de chegada. São também lugares de caminhada e de definição. Através destas duas exposições torna-se possível interrogar os caminhos da arte e pensar a sua manifestação nos dias de hoje.

Na exposição STUDIOLO XXI faz-se uma aproximação ao desenho e aos caminhos que ele contemporaneamente percorre. Em Maria Lino descobre-se a obra lenta e atenta que perscruta as coisas no mundo e o mundo nas coisas.

Ao ritmo expositivo quase frenético de STUDIOLO XXI, onde se recupera o direito de se ver rodeado de imagens-desenho-ideias que enchem de ânimo a lucidez, contrapõe-se uma exposição unipessoal de Maria Lino – Lâmina olhar animal. Maria Lino traz a Évora a espessura do tempo e a cintilação do olhar.

Nascida em 1944, Maria Lino dividiu o seu percurso artístico entre Portugal e a Alemanha, país onde viveu entre 1970 e 1997. De regresso a Portugal, fixou residência em Trancoso, onde se mantém ativa, centrada na relação com o lugar, com a natureza. O trabalho de escultura, desenho, objetos e algum material documental (escultura em madeira e a pedra (madeira sobretudo) revelam-nos uma artista da ausência, a ausência de Portugal e a ausência dos centros.

Esta exposição no Centro de Arte e Cultura Eugénio de Almeida procura a conhecer melhor a artista e a sua obra. Para além da escultura há lugar também para o desenho e objeto. Espaço ainda para material documental que retrata o percurso de Maria Lino – quer pela Alemanha quer pelo lugar distante dos centros onde decidiu fixar residência em Portugal.

Maria Lino, em Trancoso, implicou-se com o território e o lugar. Deu-lhe protagonismo, centro, substância e vida. E o lugar deixou ser de Maria Lino e passou a ser de muitos outros.

Esta exposição é também o resultado deste lugar, mas vai mais atrás trazendo peças criadas noutros lugares. 

Nuno Faria coordena a equipa de curadora desta exposição que ocupa o segundo piso do Centro de Arte e Cultura Eugénio de Almeida.

No primeiro piso, STUDIOLO XXI convida-nos a fazer uma caminhada estética através das obras de mais de 180 artistas, nacionais e estrangeiros. Trata-se de um percurso que nos permite fruir a lentidão ou a fugacidade, a duração ou sofreguidão.  Nesta viagem temos oportunidade de olhar para o estado da arte hoje e, sobretudo, para o caminho que o desenho tem feito ao longo das últimas décadas. Neste mostra, mais de 180 artistas conhecem-se obras de Júlio Pomar, Ana Hatherly, Álvaro Lapa, António Palolo; Albuquerque Mendes, Cristina Ataíde, Sofia Pidell ou Sebastião Resende.

STUDIOLO XXI – Desenho e afinidades tem a curadoria de Fátima Lambert.

Fátima Lambert

Doutorada em Filosofia Moderna e Contemporânea – Estética (1998) – Faculdade de Filosofia Braga/ U. C. P.; Professora Coordenadora em Estética e Educação – Escola Superior de Educação / Politécnico do Porto (2000). Bolseira FCT – projeto “Writing and Seeing” (2000/2004). Coordena a linha de investigação “Cultura, Artes e Educação do InED| ESE, onde foi diretora até 2017 e coordena vários projetos; membro de Comissões Científicas: IHA, FCSH/UNL e das Revistas: MIDAS (PT), Visuais – UNICAMP – Campinas (BR), Asparkía – Universitat Jaume I, Castellón (ES), EARI – Universitat de València (ES) e AICA (Portugal). Curadora Independente desde 1994, privilegiando eixo Brasil/Portugal. Keynote Speaker, comentadora e organizadora de eventos científicos e culturais; autora de vários livros, publicando regularmente em revistas científicas.

PROGRAMAÇÃO PARALELA

Performance como desenho, desenho como performance.

As duas exposições são acompanhadas por uma vasta programação paralela, onde se destaque a arte performativa. Entre abril e setembro haverá obras a serem produzidas in loco através de gestos performativos, ou performances realizadas a partir de desenhos.

No dia da inauguração, a 13 de abril, Beatriz Albuquerque realiza uma performance que dará origem a um desenho. Esta performance acontece e permanece no espaço como objeto in loco

O programa de performance conta com a participação de Beatriz Albuquerque (que no dia 13, dia da inauguração, realiza uma performance que dará origem a um desenho, que permanecerá no espaço como objeto in loco).

Algumas obras são produzidas expressamente para a exposição numa logica de site especific, envolvendo os espaços exteriores da Fundação, como o jardim do Centro de Arte e Cultura, como Sofia Pidel, Sofia Ataíde, Sebastião Resende e o jardim das Casas Pintadas com Rebecca Moradalizadeh, Marta Azparren, Fernando Aguiar, Silvestre Pestana, Jaap Blonk, M. Lohrum, entre outros. 

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