Um concelho entre o mármore e vinho

Por em 2 de Março de 2012

Borba é um dos concelhos do distrito de Évora, situado em pleno interior alentejano, no chamado coração da Zona dos Mármores, compreende um conjunto de actividades económicas bastante diversificadas e ímpares na região e no Alentejo.

O principal motor de desenvolvimento é a extracção e transformação de mármore. Esta actividade origina uma paisagem única, contrastando as crateras profundas de onde se extrai o denominado “ouro branco” com as enormes escombreiras onde são depositados os excedentes. O nome Borba está também associado à excelência dos vinhos produzidos no concelho pelas diversas unidades vitivinícolas, evidenciada nas medalhas obtidas nos concursos nacionais e internacionais do sector.

Um bom vinho, branco ou tinto, é sempre motivo para degustar os saborosos queijos produzidos em Rio de Moinhos, cuja maneira de se tratar e curar lhes dá uma intensidade de sabor que aguça irremediavelmente o apetite, que aumenta ao acompanhar o tradicional pão de Borba, produzido com ensinamentos e saberes de longa data, que foram passando de geração em geração, perpetuando a sua genuinidade até aos dias de hoje.

Fruto das dificuldades económicas verificadas em determinadas épocas da nossa história, as populações foram forçadas a recorrer a novos produtos para garantirem a sua alimentação, tornando a gastronomia local bastante rica em plantas e ervas aromáticas que tornam o seu paladar bastante apreciado e procurado, aprimorada pelo azeite que se extrai dos vastos olivais que complementam a paisagem do concelho, em contraste com as pedreiras e vinhas. A par, os enchidos são também bastante afamados não só pela tradição como pela sua qualidade, sendo cada vez mais procurados pela sua genuinidade.

Obrigatória é a visita a uma das catedrais do vinho nacional, a Adega Cooperativa de Borba. Fundada em 1955, esta adega foi a primeira de uma série de Adegas Cooperativas constituídas no Alentejo, com o incentivo e ajuda da então Junta Nacional do Vinho, numa altura em que o sector não tinha o protagonismo que hoje tem na economia regional.

De facto, não fosse esse empurrão decisivo dado pelo referido organismo estatal, que assim permitiu uma organização comercial e de transformação para os vinhos do Alentejo, e a cultura da vinha teria desaparecido completamente da região, pois todos os incentivos da época estavam virados para a cultura dos cereais, e fazer do Alentejo o celeiro do País era uma politica mais que consolidada para a época.

Hoje, a Adega Cooperativa de Borba reúne 300 viticultores associados que cultivam cerca de 2.100 hectares de vinha, distribuindo por 70% castas tintas e 30% de castas brancas.

Borba evidencia-se ainda pelo vasto e rico património histórico que convidam à descoberta e ao reencontro com a história, apelando a uma visita mais atenta e demorada. Os Paços do Concelho, a fonte das três bicas, as muralhas, e as diversas igrejas, das quais se destacam a Matriz, a capela do Senhor Jesus dos Aflitos ou a igreja de São Bartolomeu são alguns dos pontos altos. Nota ainda para a as casas da fidalguia de outros tempos e as inúmeras lojas de antiguidades e velharias, onde se podem fazer descobertas sempre imprevisíveis.

Fácil é chegar. Difícil é partir, pelo bem que se é recebido e pela qualidade encontrada nas gentes e nos produtos, e na certeza de que há sempre algo mais importante para descobrir.

Cultura e lazer

Anualmente realiza-se, neste concelho, um leque bastante diversificado de actividades culturais, nomeadamente, certames temáticos (Festa da Vinha e do Vinho, Feira do Queijo e Feira das Ervas Alimentares) e uma série de romarias, festas populares e religiosas (festas em honra do Senhor Jesus dos Aflitos, Santa Bárbara, S. Gregório, etc.).

Segundo a autarquia local, a além destas actividades já realizadas e enraizadas na localidade “algumas mais irão nascer, fruto da criação de novas infra-estruturas que dotaram o concelho de melhores equipamentos”, nomeadamente, no Palacete dos Melos – onde funciona a biblioteca, videoteca, espaço internet e oficina da criança -, no Fórum Transfronteiriço, com capacidade para acolher cursos, seminários, jornadas, exposições, palestras e simpósios, ou no Pólo Universitário.

Renovação de espaços

A REFER e o Município de Borba assinaram recentemente um contrato de concessão do direito de exploração do património edificado e terrenos adjacentes da Estação de Borba à autarquia.

O contrato tem a duração de 20 anos, renovando-se por períodos sucessivos de cinco anos. A estação pertence ao Ramal Ferroviário de Vila Viçosa, e encontra-se sem qualquer função há vários anos, em virtude da desativação da linha.

O Município de Borba pretende requalificar os edifícios e terrenos adjacentes, com o objetivo de os dinamizar em termos turísticos e de lazer, enquanto infraestrutura de apoio à futura Ecopista do mesmo ramal, que se pretende vir a construir entre Vila Viçosa e Estremoz. As obras de requalificação, a cargo do Município, deverão ter início até janeiro de 2013 e estar concluídas em dezembro de 2014, e estão estimadas em 677 mil euros.

A Ecopista terá como principal objetivo o estabelecimento de um circuito ciclável e pedonal, de carater turístico, que promova a interligação entre núcleos urbanos a locais de interesse histórico-cultural, de interesse ecológico e ao património ferroviário edificado dos concelhos. Espera-se que venha a contribuir para promover o desenvolvimento integrado da região, promovendo o turismo, recreio e lazer ao ar livre, e incentivo à conservação da natureza e valorização dos sistemas naturais existentes.

Sobre Pedro Galego

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