Empresários suportam aumentos na taxa de IVA

Por em 4 de Janeiro de 2012

Comerciantes e proprietários de restaurantes evitam mexer nos preços por causa da crise. Apesar do aumento dos impostos.

A loja é uma pequena mercearia de bairro, em Évora. O teste é saber como é que a subida do IVA nalguns produtos se reflete no preço final pago pelos consumidores. A conclusão é simples: pelo menos por enquanto o “prejuízo” fica por conta dos comerciantes que decidiram não mexer nos preços.

Vamos a contas. Sábado de manhã, último dia do ano. A alguns produtos hortícolas que continuam à taxa reduzida de IVA, junto três outros no cesto de compras: um litro de refrigerante, uma lata de ervilhas e uma embalagem de café. Custo: 3,65 euros.

A escolha não foi efetuada por mero acaso. São produtos que algumas horas depois, com a chegada de 2012, passam para a taxa máxima de IVA: 23%.

O regresso à mercearia foi segunda-feira ao final da tarde. Depois de nova compra, incluindo os mesmos três produtos, a fatura permaneceu idêntica: 3,65 euros. Ao não subir os preços, o comerciante reduz a sua margem de lucro pois vai pagar mais impostos mas, por outro lado, agrada aos clientes de sempre, sobretudo idosos.

O ano não começa mal para quem compra. Mas as perspetivas continuam a ser pouco animadoras. “Já se sabe que para melhor é que não caminhamos”, diz uma cliente.

Também em alguns restaurantes – onde desde 1 de janeiro passou a ser cobrada uma taxa 23% de IVA, em vez dos anteriores 13% – a tendência é de não mexer nos preços ou fazê-lo da forma mais moderada possível. “Como o negócio já não anda bom, qualquer subida de preços acaba por afastar clientes”.

“Não vamos aumentar o preço dos pratos do dia para não perder nem prejudicar os clientes habituais. Aumentamos apenas em 10% os pratos confecionados na hora”, diz Joaquim Fialho, do restaurante A Choupana. Noutros estabelecimentos, a subida do preço das ementas traduz apenas a subida dos custos com a eletricidade (mais cara 4% desde o início do ano).

O presidente da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) diz que o aumento do IVA para 23% “vai colocar em causa a sobrevivência do turismo” uma vez que os serviços de alimentação e bebidas representam atualmente 45,4% do consumo dos estrangeiros que visitam o país.

“Esta realidade faz com que o IVA médio na hotelaria passe agora para os 14,5 e o IVA médio praticado no turismo passe para os 20,4% o que poderá levar à destruição de milhares de micro e pequenas empresas, e lançando no desemprego milhares de trabalhadores”.

 

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