Investimento de 177 milhões da Embraer em Évora começa a exportar este verão

Por em 26 de Junho de 2012

Quando em meados de julho as duas fábricas da Embraer em Évora – recentemente visitadas por Luiz Fuchs, presidente da Embraer Europa – iniciarem a produção, a indústria aeronáutica em Portugal dará um salto na cadeia de valor passando da manutenção para o fabrico de aviões.

No parque aeronáutico de Évora os enormes hangares das duas novas unidades industriais já estão construídos. No interior começam a ser instalados os equipamentos, enquanto dezenas de colaboradores ultimam o processo de formação profissional iniciado há vários meses.

“Embora se trate de unidades industriais distintas esperamos, nos dois casos, iniciar as exportações para o Brasil, para onde seguirá a totalidade dos equipamentos fabricados em Évora, no segundo semestre deste ano e atingir a plena produção em 2013”, diz Luiz Fuchs, apontando para a criação de mais de 1200 postos de trabalho diretos e indiretos. “É importante estamos presentes na Europa que é um mercado altamente tecnológico e que mesmo com a crise vai continuar a consumir. Estando nós presentes já na China e nos Estados Unidos queremos reforçar a presença global da empresa”.

O investimento em curso no denominado Centro de Excelência da Embraer em Évora ascende a 177 milhões de euros. É o maior da empresa fora do Brasil. Uma unidade destina-se à produção de peças em materiais compósitos e montagens de conjuntos, será equipada com “a tecnologia mais avançada disponível no mercado” e envolverá o emprego de mão-de-obra “altamente qualificada” na construção de asas. A outra unidade industrial, de menor dimensão, dedicar-se-á ao fabrico de estabilizadores verticais e horizontais para as caudas dos aviões.

Embora todos os novos aparelhos deste “gigante” mundial da aviação possam vir a ter peças fabricadas em Évora se a tecnologia e a competitividade das fábricas o permitirem, Luiz Fuchs revela que as duas unidades vão para já produzir componentes para os novos Legacy 450 e Legacy 500 (dois jatos executivos em fase de testes) e para o KC-390, um aparelho militar de transporte tático/logístico e reabastecimento em voo cujo desenvolvimento conta com o empenho do governo português.

“As decisões para criar duas novas fábricas em Évora fazem parte do plano estratégico da Embraer. O nosso principal objetivo é desenvolver ainda mais a presença global da empresa trabalhando em estreita colaboração com as competências locais”, acrescenta o presidente da Embraer Europa, recordando que além do Alentejo a empresa está também presente em Portugal nas OGMA, oficinas de manutenção em Alverca, onde detém 65% do capital. “Até agora não há nada que nos diga para não continuar a investir em Portugal”, sublinha Luiz Fuchs.

O investimento em Évora foi apoiado pelo governo no âmbito de um contrato assinado em 2008 que prevê incentivos de 75 milhões de euros e isenções fiscais até 2017, tendo em conta que o projeto dotará Portugal da “maior unidade de produção e montagem de estruturas” para a indústria aeronáutica e servirá de “âncora num dos setores considerados estratégicos para a economia nacional, reconhecido pelo seu elevado investimento em desenvolvimento de novas tecnologias e pelo seu efeito disseminador de conhecimento e práticas de excelência”.

Também a Assembleia Municipal de Évora reconheceu o interesse municipal do projeto e concedeu “isenção total” do pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) às duas unidades da Embraer. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto Oliveira, trata-se de uma aposta que “abre portas a novas oportunidades” de negócio num setor “altamente competitivo”.

Para José Palma Rita, diretor regional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) o investimento brasileiro representa um “passo decisivo” para a criação de um “cluster” aeronáutico com reflexos na criação de emprego: “É um projeto importante do ponto de vista da inovação pois coloca o Alentejo num patamar diferente, permite fixar quadros altamente qualificados e gera a criação de novos postos de trabalho”.

Pelo Centro de Formação Profissional de Évora já passaram dezenas de formandos agrupados em quatro cursos criados para dar resposta a esta oportunidade: Montagem de Estruturas Metálicas, Maquinação CNC (por computador), Tratamento de Metais e Produção e Transformação de Compósitos.

“Temos um grupo de 40 formando que foi ao Brasil realizar um estágio e que vai instalar os equipamentos nas unidades de Évora”, revela José Palma Rita, acrescentando que ao IEFP têm chegado outras propostas de investimento e criação de emprego por parte de empresas que irão fornecer produtos e serviços à Embraer. “Têm-nos chegado intenções de investimento de vários países, incluindo França, Espanha e Bélgica. O IEFP tem capacidade e disponibilidade para responder e dar apoio a todos os projetos de criação de emprego que forem apresentados”.

Num recente encontro empresarial realizado em Évora, o representante da Embraer João Pedro Taborda disse que o processo de recrutamento de pessoal se irá prolongar “para além deste ano”, tal como a certificação de fornecedores para as novas fábricas.

“Negócio de elevado potencial”

Componentes do avião de transporte militar KC-390 serão fabricadas em Évora, confirmou ao DN o presidente da Embraer Europa, Luiz Fuchs. Para o desenvolvimento deste projeto, classificado pelo governo português como uma “oportunidade de negócio de elevado potencial”, a construtora brasileira assinou contratos de parceria com as empresas portuguesas OGMA e EEA – Empresa de Engenharia Aeronáutica. Desenho, protótipos e partes estruturais do novo avião, que se destina a substituir o Hércules C-130, terão igualmente assinatura portuguesa.

A participação no desenvolvimento deste aparelho resultou de um convite do governo brasileiro, sendo encarada por Lisboa como uma oportunidade “única para dinamizar a capacitação do cluster aeronáutico, por forma a gerar e desenvolver competências tecnológicas e potenciar a internacionalização da indústria nacional”.

No âmbito de um contrato de investimento assinado em finais de 2011, Portugal está disponível para assumir um montante global de investimento de 57 milhões de euros, a realizar até 2013 com recurso a fundos comunitários.

Sobre Luís Godinho

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