Bancos Alimentares em nova campanha de recolha

Por em 25 de Novembro de 2011

Os Bancos Alimentares Contra a Fome voltam a apelar à generosidade do público em mais uma campanha de recolha de alimentos no próximo fim-de-semana, 26 e 27 de Novembro. Mais do que nunca, quanto mais não seja porque se tem vindo a agravar o grau de dificuldades pelo qual passam muitas famílias portuguesas, a solidariedade dos portugueses volta a ser posta à prova. Nunca como agora fez tanto sentido a ideia de que é possível fazer a diferença apenas com um pequeno gesto. Vamos demonstrar que a crise não nos vence e que está ao nosso alcance agir individual e colectivamente para minorar os seus efeitos. Esta é uma boa altura para mostrarmos que continuamos “a alimentar esta ideia”, se possível ainda com mais vigor e entusiasmo que no passado. Vamos estar à altura das circunstâncias.

A coincidir com a campanha de recolha de alimentos na rua, o Banco Alimentar apresenta ainda uma inovação que representa uma comodidade para muitos. A partir de agora, os donativos poderão ser efectuados através de uma plataforma electrónica, sem necessidade da deslocação tradicional aos estabelecimentos comerciais.

“Graças à sua ajuda há cada vez mais sorrisos” é o lema e a mensagem positiva da acção de promoção da campanha nos órgãos de informação, que traduz de uma forma simples o sentido mais puro deste renovado apelo à solidariedade dos Portugueses.

Em 19 regiões do país  (Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Aveiro, Abrantes, São Miguel, Setúbal, Cova da Beira, Leiria-Fátima, Oeste, Algarve, Portalegre, Braga, Santarém, Viseu, Viana do Castelo, Terceira e Beja), mais de 34.000  voluntários devidamente identificados estarão à porta dos estabelecimentos comerciais a convidar os portugueses a associarem-se a uma causa que já conhecem, doando as suas contribuições em alimentos.

Contexto de dificuldade

Numa época em que muitas famílias portuguesas se encontram em dificuldades, a partilha e a solidariedade são mais do que nunca necessárias. Os desempregados, os idosos, as crianças e as famílias desestruturadas são os grupos mais atingidos pela situação de forte agravamento da situação económica que se vive em Portugal. Para fazer face a um crescente número de pedidos de apoio que têm vindo a chegar aos Bancos Alimentares contra a Fome, é forçoso alargar a sua capacidade de resposta. Concretizar esse objectivo e minorar as carências de muitos, atingidos indiscriminadamente pela contundência da crise económica, está nas mãos de cada um e de todos, respondendo “presente” com um “pequeno” gesto à medida da disponibilidade individual e que se torna “grande” no colectivo.

A combinação da solidariedade generosa dos portugueses e da eficácia comprovada da acção dos Bancos Alimentares Contra a Fome na tentativa de minorar a penosa realidade das carências alimentares, constitui a prova evidente de que a sociedade civil se pode – e deve – substituir com vantagem ao Estado na resolução de alguns dos problemas com que se confrontam as sociedades modernas, tornados recentemente ainda mais evidentes e agravados pela crise económica, que trouxe consigo um significativo abrandamento da actividade e um brutal e súbito agravamento do desemprego.

Produto da campanha distribuído localmente

A campanha decorre nos moldes tradicionais durante o fim-de-semana de 26 e 27 de Novembro: voluntários dos Bancos Alimentares Contra a Fome, devidamente identificados, solicitam a participação do público à entrada dos estabelecimentos comerciais. Para participar nesta campanha, basta aceitar um saco do Banco Alimentar e nele colocar bens alimentares para partilhar com quem mais precisa. São privilegiados os produtos não perecíveis, tais como leite, conservas, azeite, açúcar, farinha, bolachas, massas, óleo, etc.

A campanha mobilizará mais 34.000 pessoas que, a título voluntário, recolhem as contribuições efectuadas nos estabelecimentos comerciais, as transportam e arrumam nos armazéns dos dezanove Bancos Alimentares em actividade.

O produto da campanha, ainda com recurso ao voluntariado, será distribuído localmente a pessoas com carências alimentares comprovadas através de 2.047 Instituições de Solidariedade Social previamente seleccionadas e acompanhadas ao longo de todo o ano por voluntários visitadores.

Este modelo de intervenção permite assim uma grande proximidade entre quem dá e quem recebe e possibilita o desenvolvimento de um trabalho de inclusão social que vai para além do mero assistencialismo.

 

Recolha de produtos em plataforma electrónica

A campanha deste fim-de-semana prevê também a angariação de produtos através de uma plataforma electrónica. Denominada “Alimente esta ideia … agora também online”, esta nova plataforma de recolha de alimentos baseada na Internet funcionará como complemento ao canal tradicional de recolha no supermercado. Para além da comodidade na medida em que evita a deslocação tradicional aos estabelecimentos comerciais, a nova plataforma apresenta as vantagens de poder estar activa por um período de tempo mais alargado e de permitir supletivamente a criação de uma comunidade de doadores, que possa mediante o recurso às novas tecnologias de comunicação receber informações actualizadas acerca das actividades dos Bancos Alimentares.

Durante os períodos de recolha física de alimentos, o portal disponibilizará a possibilidade ao doador online de escolher alimentos e de os pagar electronicamente. A nova plataforma electrónica de recolha de alimentos caracteriza-se por uma grande simplicidade e acesso ao mais baixo preço do mercado a um conjunto de produtos alimentares essenciais para ajuda às famílias.

O pagamento será feito por sistema Multibanco ou Visa, tal como com qualquer outro pagamento de serviços ou compra online. O doador, após seleccionar os produtos e quantidades ou o cabaz de alimentos que pretende doar, irá confirmar a aceitação do montante total a pagar. Para concluir a operação poderá utilizar a sua plataforma normal de homebanking e concluir online a doação, ou dirigir-se em alternativa a um caixa Multibanco e concluir aí o pagamento, usando em qualquer caso a referência e o código atribuídos, que entretanto lhes foram enviados automaticamente por correio electrónico.

Uma mais-valia da plataforma electrónica de recolha de alimentos consiste na sua integração às principais redes sociais e móveis como o Facebook e o Messenger.

Campanha “Ajuda Vale”

Em simultâneo com a campanha tradicional de recolha vai ainda decorrer até 6 de Junho a campanha “Ajuda Vale”, em todas as lojas das cadeias Dia/Minipreço, El Corte Inglês, Jumbo/Pão de Açúcar, Lidl, Continente e Pingo Doce.

Nesses estabelecimentos serão disponibilizados, em suportes próprios, vales de produtos seleccionados (como azeite, óleo, leite, salsichas e atum). Cada cupão representa uma unidade do produto (por exemplo, “1 litro de azeite”, “1 litro de leite”, etc.). Este cupão, para além de mencionar que se trata de uma entrega destinada aos Bancos Alimentares Contra a Fome, refere de forma clara a identificação do tipo de produto, a respectiva unidade e inclui um código de barras próprio, através do qual é efectuado o controlo das dádivas. Ao efectuar o pagamento, o dador entrega o cupão “Ajuda Vale” na caixa registadora e os produtos ficam claramente identificados no talão de caixa. A logística de transporte para os Bancos Alimentares contra a Fome fica a cargo de cada uma das cadeias de distribuição.

Através desta nova modalidade, cuja execução será auditada externamente, os Bancos Alimentares Contra a Fome conseguirão chegar à quase totalidade das localidades do País, promovendo ainda mais uma lógica de proximidade e de facilidade de contributo.

Mais de 329 mil pessoas receberam ajuda

De acordo com os dados da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, ao longo do ano foram apoiadas com produtos mais de 2.047 instituições, que concederam ajuda alimentar a mais de 329 mil pessoas comprovadamente carenciadas. No ano passado os dezassete Bancos Alimentares Contra a Fome em actividade distribuíram  um  total  de 26 567 toneladas de alimentos (equivalentes a um valor global estimado superior a 37,7 milhões de euros), ou seja, um movimento médio de 106,2 toneladas por dia útil.

Dados mais relevantes

  • Campanha “Saco” nos dias 26 e 27 de Novembro em 1.615 estabelecimentos comerciais com a adesão de 34 mil voluntários;
  • Campanha “Ajuda Vale” de 25 de Novembro a 4 de Dezembro com entrega de vales que representam produtos em todas as lojas das cadeias Dia/Minipreço, El Corte Inglês, Jumbo/Pão de Açúcar, Lidl, Continente e Pingo Doce;
  • 329 mil pessoas carenciadas apoiadas através de 2.047 instituições em 19 regiões do país, muitas das quais se encontram privadas de outro tipo de alimentação;
  • 26. 567 toneladas de alimentos distribuídos em 2010, que equivalem a uma média diária de 106 toneladas por dia útil.

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