Biotecnologia e Futuro

Por em 5 de Dezembro de 2017
DR

Muito se tem falado sobre clima e alterações climáticas, sobre medidas que se devem tomar para minimizar a degradação do ambiente e dos recursos naturais, sobre a mudança para sistemas e práticas sustentáveis e sobre como alimentar a população mundial. Também o movimento da alimentação segura, assegurada e saudável é um tópico da atualidade, assim como a saúde e o bem-estar da população. Eventos, tratados, regulações, diretivas, casos legais, linhas orientadoras, tópicos, aplicações e penalizações, têm vindo a ser desenvolvidos pelas mais diferentes organizações e níveis de decisão.

Em 18 de outubro de 2017, em Cambridge, Massachusetts (USA), foi reconhecida a Biotecnologia como a grande esperança da agricultura, desde a Revolução Verde, o que indicia uma mudança radical no panorama agrícola atual.

Houve muita informação sobre este tema, muita análise ou divulgação?

Não!

O que se sabe sobre o assunto?

Que a população mundial vai crescer 35 % até 2050 chegando aos 9 mil milhões.

Para alimentar toda esta população, a produção mundial de alimentos tem que duplicar.

A capacidade de o planeta produzir alimentos suficientes para esta duplicação está em dúvida, face às mudanças climáticas, escassez de água, sustentabilidade dos sistemas de produção atuais e disponibilidade de terra agrícola, entre outros.

Que a Biotecnologia surge como a (melhor) solução possível para evitar uma crise alimentar mundial no futuro.

Embora os avanços da biotecnologia sejam pouco conhecidos e estimados, esta surge como uma proposta robusta na agenda de investigação agrícola, abrindo uma nova era à engenharia genética, onde é possível editar, corrigir e alterar o genoma de qualquer célula de modo fácil, rápido e não dispendioso e, simultaneamente, de modo preciso.

Basicamente, tudo é possível, mesmo fora dos limites da reprodução das espécies.

As implicações de tudo isto, pelas possibilidades de desenhar completamente novos organismos vivos, conduzem à necessidade de revisão ética destas questões e maior investigação, pela comunidade científica. No limite, podem ser desenhados super homens/super mulheres ou superorganismos. Em função da procura, indivíduos podem ser “editados” pela altura, cor dos olhos, tonicidade muscular, tom de pele, tipo de cabelo, resistência a doenças e outras características.

Até agora, esta tecnologia repartia-se em diferentes patentes, complementares, com direitos legais relativos a dois grupos (Broad Institute e Dupont-Pioneer). Mas, a partir de outubro, os referidos grupos, onde somente o segundo trabalhava a vertente agrícola, assinaram um acordo de mútuo acesso às patentes e de acesso gratuito dessas patentes a centros de investigação científica-académica do mundo e a centros sem fins lucrativos. Em consequência, o acesso a todo o conjunto de patentes, incluindo a possibilidade de licenciamento não exclusivo para uso comercial na agricultura, é possível.

O que representa isto na prática?

Que o acesso universal à biotecnologia que pode mudar o mundo foi garantido.

Que foi aberto o acesso a todos os que podem contribuir para o objetivo de “alimentar a humanidade”.

Que diminui a possibilidade de virem a existir organizações ou países a dominar esta tecnologia para o seu próprio interesse.

Importa dar atenção a estas ocorrências assim como ao impacto que podem vir a ter, quer na atualidade quer nas gerações vindouras.

Importa assegurar que estas tecnologias não sejam dominadas por interesses individuais.

Importa que exista conhecimento e sua divulgação à sociedade.

Importa conciliar esse conhecimento com modos e estilos de vida sustentáveis e com a inclusão da circularidade no funcionamento das organizações (democráticas, académicas, empresariais, sociais e outras).

Importa, sobretudo, não pensar que só a Biotecnologia é a solução possível, pois o futuro da Humanidade depende de todos e de cada um de nós!

 

Dinâmicas da Gestão

Maria Raquel Lucas

Departamento de Gestão e CEFAGE, Universidade de Évor

 

 

Sobre Raquel Lucas

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