Em defesa da Cultura

Por em 3 de Fevereiro de 2012

«O tempo de pôr fim a este rumo de desastre é o tempo de hoje. Tempo de protesto e de recusa. Tempo de mobilização de toda a inteligência, de toda a criatividade, de toda a liberdade, de toda a cólera contra uma política que chama “austeridade” à imposição de um brutal retrocesso histórico em todas as áreas da vida social.

Defender a Cultura é uma das mais inadiáveis formas de fazer ouvir todas as vozes acima do medíocre ruído dos “mercados”. Manifestamo-nos EM DEFESA DA CULTURA. E agiremos em conformidade».

É desta forma que termina o Manifesto em defesa da cultura que subscrevi há algumas semanas atrás porque vivemos num país integrado numa comunidade onde a cultura devia dispor de outros meios para cumprir, com dignidade, a sua função de serviço público.

A democratização da cultura é um desígnio inscrito na nossa Constituição e Portugal não pode deixar de se bater pelo desenvolvimento cultural e pugnar por uma europa onde a integridade nacional e as culturas regionais sejam realidades com espaço próprio de afirmação.

Quando até no plano económico se reconhece a dimensão crescente deste sector de actividade, bem como a sua forte dinâmica na criação de novos empregos, tem de se apostar claramente no reforço das condições de trabalho dos seus profissionais para que a integração europeia seja também um acto criativo capaz de animar a vida cultural dos povos.

A qualificação da vida cultural das comunidades tem de passar por uma aposta clara nas dinâmicas instaladas pelos criadores, incentivando as práticas artísticas locais com vista à criação de um ambiente de comprometimento e partilha em torno de uma estratégia de desenvolvimento das regiões.

Enquanto se mantiverem os reduzidos níveis de financiamento à cultura não será possível desenhar um programa de intervenção que estruture a actividade deste sector no plano nacional e que considere as diversas realidades regionais, nomeadamente a necessária correcção da discriminação negativa a que o Alentejo e outras regiões têm sido sujeitas ao longo de anos.

Não podemos aceitar medidas que são ineficazes na diminuição do défice, mas comprometem o já tão fragilizado tecido cultural português. «Cortar no apoio às artes é cortar nos direitos dos portugueses».

O caminho do desenvolvimento e da democratização da cultura não é compatível com os cortes cegos determinados pelas regras de mercado que nos querem impor. O Estado não pode demitir-se das suas responsabilidades, tal como a malfadada crise não pode ser justificação para todo o tipo de medidas.

A apresentação pública do Manifesto em defesa da Cultura vai acontecer na cidade de Évora no próximo dia 3 de Fevereiro, sexta-feira, às 18 horas, na sede da Associação Povo Alentejano na rua 5 de Outubro,75 (antiga FENCA).

Esta apresentação tem a participação de Pedro Penilo, artista plástico, Manuel Gusmão, poeta e escritor, Helena Serôdio, professora e crítica de teatro, Helena Zuber, economista e gestora cultural e eu próprio que em nome dos subscritores deixo aqui o convite para participarem nesta sessão e integrarem esta corrente em defesa da cultura.

“Austeridade” na cultura não destrói só o que existe, destrói o que fica impedido de existir.

 

Sobre José Russo

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