Europa: “O Novo Homem Doente”

Por em 18 de Maio de 2013

O rótulo de “homem doente” foi atribuído ao Czar Russo Nicolás I para descrever a crise do império Otomano em meados do Século XIX. Esta referência é hoje aplicável à situação em que a Europa vive. O esforço dos últimos 50 anos para criar uma Europa mais unida está a ser colocado em causa muito rapidamente. A crise do euro veio demonstrar que o estado da doença é grave, tendo começado por afetar os órgãos mais frágeis (Portugal, Grécia, Irlanda, Chipre, Espanha, Itália) mas que vai alastrando até atingir os órgãos vitais (Alemanha, França, Inglaterra). Caminhamos para o colapso não apenas do Euro mas de todo o projeto Europeu. O Desemprego é a grande ferida aberta e a sangrar de forma contínua em toda a Europa. Cerca de 30 Milhões de pessoas sem trabalho; 6 Milhões de Jovens à procura de trabalho. Assistimos a uma fuga dos mais bem preparados dos países do Sul da Europa para os países do Norte e para outras paragens do Mundo em vias de desenvolvimento. Mais do que as dívidas soberanas, mais dos que os défices excessivos, é o Desemprego que está a minar a confiança nos ideais de uma Europa unida, solidária e inclusiva. Os países do Sul representam para os do Norte um fardo que é preciso descartar; uma espécie de zona com lepra que urge descontaminar. O Governo Britânico, conservador, de direita, vai aprovar um referendo sobre a manutenção do país na União Europeia. Está aberta uma espécie de guerra da Secessão na Europa, o Norte desenvolvido contra o Sul pobre que durante uns anos parecia que era rico. A crise económica e financeira que atingiu a Europa e o mundo desenvolvido a partir de 2008, veio acentuar as fragilidades de um projeto de integração europeia inacabado, frágil, sem liderança, sem instituições à altura das necessidades de resposta a uma crise muito forte. Os EUA conseguiram dar essas respostas, graças à sua unidade Federal e à força das suas instituições democráticas. Na Europa o que faltou em capacidade, firmeza e visão, sobrou em acusações em cada Estado-Membro (veja-se o que aconteceu em Portugal, onde entre 2009 e 2011, onde se ignorou olimpicamente a crise Internacional, responsabilizando apenas o Governo) e entre Estados-Membros, com a Alemanha e a Holanda, entre outros, a acusarem os países mais frágeis de que estiveram sempre a viver acima das suas possibilidades, de irresponsáveis, que não souberam gerir o seu orçamento e a sua dívida. É neste contexto que nós estamos hoje, ligados à máquina, recebendo o oxigénio libertado pela Troika e com uma assistência à cabeceira do doente garantida pelo Banco Central Europeu. É a Direita mais conservadora que está a Governar e a destruir a Europa, sem valores, que impõe a lei dos mais fortes sobre os mais fracos, que é responsável pela maior hecatombe social na Europa no pós-guerra. A tragédia está eminente. Há zonas na Europa onde a ferida aberta já está a fazer gangrena, em estado de putrefação social. O acesso a alimentos, à saúde, a bens e serviços essenciais está condicionado para muitas famílias. Os direitos do Homem estão já a ser violados de forma evidente numa Europa de burocratas, insensíveis, distantes do Homem comum. O “Homem Doente” está exangue, a morrer e ninguém quer fazer nada!

 

Sobre António Serrano

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