Marketing 3.0?

Por em 4 de Fevereiro de 2014

As atuais tendências dos consumidores e seu impacto global, têm levado à evolução do conceito do marketing e à necessidade das empresas se lhe adaptarem. O surgimento de um novo paradigma, o do marketing 3.0, vem superando as anteriores abordagens baseadas no produto (marketing 1.0) e no consumidor (marketing 2.0).

O marketing 3.0 centra-se no ser e no espírito humanos, encarando o consumidor como potencial colaborador e um indivíduo multidimensional, consciencioso, exigente e informado, atento à tecnologia, activo, poderoso e com valores enraizados.

Mas o que significa um marketing 3.0 centrado no ser humano, quando esse mesmo marketing, desde sempre, teve a sua origem na satisfação das necessidades do consumidor? Esta expressão, que adquiriu especial relevância após a edição do livro Marketing 3.0 – do produto e do consumidor até ao espírito humano, de Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan, assume, fundamentalmente, que o consumidor deixou de comprar para satisfazer necessidades básicas e passou a escolher produtos e empresas em função da satisfação das suas necessidades mais profundas de criatividade, comunidade e idealismo, ou seja, em função do seu estado emocional e do valor experiencial e sentimental do produto ou serviço.

 

Esta última geração do marketing supõe um marketing colaborativo, um marketing da globalização, um marketing cultural, um marketing de experiências e de criatividade, um marketing espiritual ou do espírito humano e um marketing da sustentabilidade. Tal implica, da parte das organizações, formas inovadoras de criar produtos e de proporcionar serviços e culturas organizacionais que integrem, considerem e respeitem esses valores do consumidor e, ainda, os comuniquem eficazmente. Envolve também sustentabilidade, ou seja, actuar visando empossar de forma inteligente e não prejudicial o meio ambiente, garantindo a sua manutenção para as gerações vindouras.

Numa sociedade cada vez mais interligada pela tecnologia e redes sociais, por transformações sociais, económicas e culturais rápidas e frequentes coloca cada vez mais desafios às empresas. Devem estas ter a visão e a ambição de definir as distintas componentes dos seus modelos de negócios adaptando-se ao paradigma do marketing 3.0, à sua missão junto de consumidores cada vez mais colaborativos, culturais e espirituais e os valores de colaboradores e parceiros, oferecendo soluções transformadoras e propostas de valor que as diferenciem. Já não basta produzir um produto de qualidade a preço razoável, nem mesmo que este seja certificado. Para além das características funcionais, são cada vez mais as emocionais que canalizam valor e que indiciam o marketing 3.0 como uma ferramenta fundamental ao posicionamento de marcas com força positiva global e ao estabelecimento de parcerias e alianças estratégicas bem-sucedidas e inter-relacionadas.

 

Maria Raquel Lucas _ Professora do Deparamento de Gestão da Universidade de Évora

Sobre Raquel Lucas

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