Há meia dúzia de anos o SNS com todos os seus defeitos era o 12º em termos de qualidade a nível mundial, à frente dos USA e de Inglaterra.
Agora, estamos a assistir à tentativa de destruição do SNS, porque querem transformar a Saúde numa área de negócio e criar um Serviço para pobres/indigentes e um Serviço privado.
Muitas vezes é de propósito que se criam dificuldades ao serviço Público, para que este funcione mal e crie descontentamento, para com o apoio dos meios de comunicação apresentar como solução de todos os males a Medicina Privada.
É preciso lembrar vários casos do conhecimento público de doentes, que por terem atingido o plafond do Seguro de Saúde tiveram que interromper o tratamento oncológico e ir acabá-lo nos Hospitais públicos, com todos os riscos inerentes, falta de ética e respeito pela vida….só contam os cifrões e o lucro desenfreado…é de ter ainda em conta casos de doentes que têm de ser internados em unidades de cuidados intensivos e ficam endividados para toda a vida! por o limite do seguro ter sido ultrapassado.
O argumento utilizado é a sustentabilidade do SNS.
Recentemente assistimos a Manuela Ferreira Leite, deputada do PSD e que foi Ministra das Finanças de Cavaco Silva defender que por exemplo devido aos custos os tratamentos de hemodiálise para os doentes com mais de 70 anos deveriam ser pagos!?
Nós não nos devíamos espantar com tais sugestões, na medida em que no Governo de Cavaco Silva, a Ministra da Saúde Leonor Beleza ficou célebre por defender que quem quer saúde que a pague.
Na realidade Portugal não é dos Países que mais paga para a saúde. Em 2008 a despesa do Estado com a saúde foi de 6,5% do PIB e nessa data só 6 Países Europeus tinham valores menores, e entre os Países da OCDE foi 24º (num total de 34 Países).
Por outro lado, as famílias portuguesas são das que mais pagam do seu bolso para a saúde— cerca de 27,2%, ao passo que por exemplo em Espanha pagam 20,2%.
Ultimamente é anunciado em grandes parangonas que o nº de Isentos de taxas moderadoras aumentou, mas na realidade esse nº é menor que anteriormente e muitas das isenções passaram a ser parciais….por exemplo nos diabéticos não estão isentas as doenças que são consequência da diabetes.
As chamadas taxas moderadoras passaram para o dobro e mesmo mais do dobro – por exemplo numa ida á urgência ficará em 50 € (consulta mais exames). Na realidade trata-se de um imposto aos doentes e que funciona como financiamento do SNS, o que é anticonstitucional.
Essas taxas são moderadoras de quê? do nº de injecções, do nº de pensos, do nº de avaliações da glicemia, do nº de medições da tensão arterial, do nº de pedidos de renovação de receituário crónico?
È de ter ainda em linha de conta que mais de 1 milhão de utentes do SNS não têm médico de família, e muitas vezes o tempo de espera para marcar consultas e exames é de semanas, para já não falar dos transportes que só são gratuitos para as urgências!
A sustentabilidade do SNS tem de estar garantida pelos impostos e isso implica uma política de não serem apenas quem trabalha, os reformado e as pequenas e médias empresas a pagá-los. Os Bancos, os Grandes grupos Financeiros, as grandes Empresas, os que fogem ao Fisco e os respectivos lucros têm de ser taxados de forma justa.
O SNS é um bem inestimável e tem de ser para todos e tendencialmente gratuito como diz a nossa Constituição.
Pela defesa do SNS para todos!