Que fazer

Por em 23 de Março de 2012

Milhares de trabalhadores estão hoje a cumprir um dever cívico imperioso: lutar contra a mais grave ofensiva de que há memória contra os seus direitos.

Muitos outros apesar de não terem aderido à Greve Geral solidarizaram-se com ela das formas que a sua condição de precários sob permanente ameaça lhes permitiu.

Sempre que é convocada uma jornada de luta da dimensão de uma Greve Geral, surge a inevitável pergunta ao fim do dia de muitas emoções: como continuar e intensificar a luta depois de um ponto tão alto?

Esta pergunta tão comum e tão pertinente poderá ter muitas respostas, mas nenhuma delas será, com toda a certeza, será a de ir para casa esperar por outro momento de mobilização e exaltação colectiva.

Apesar da Greve Geral ser um momento de particular radicalização da luta, não será seguramente o seu momento último.

As razões que levaram à convocação da Greve Geral são muitas e variadas e continuarão a existir após o dia de hoje pelo que o dia seguinte a este momento terá que ser a continuação da resistência nas pequenas e grandes lutas sectoriais.

A destruição do Serviço Nacional de Saúde, a descaracterização do Poder Local democrático, a extinção de Freguesias, a tentativa de impor alterações à legislação laboral com o objectivo de transformar assalariados em semi-escravos, o aumento do desemprego e da desesperança numa geração que lhe dizem ser a mais qualificada de sempre, o roubo de salários que atira famílias inteiras para a insolvência, os cortes cegos e criminosos nos apoios à cultura atirando para o desespero milhares de trabalhadores e tornando mais pobre a nossa vida colectiva, são exemplos de frentes de luta em que a mobilização é factor essencial para travar esta política de terra queimada.

O caminho a partir de amanhã não tem novidade. Continuar a travar as “pequenas” lutas em torno dos problemas concretos, fazer crescer a unidade, vencer o medo e o desespero.

Mas não sendo o caminho novo, é preciso encontrar formas diferentes de o percorrer que sejam mobilizadoras, em particular dos mais jovens, que criem condições que potenciem a unidade na acção das amplas camadas sociais alvo destas políticas injustas.

Neste forte movimento social só a luta organizada terá condições de sucesso e é importante que os mais fragilizados, os que se encontram no desemprego, vençam o isolamento próprio da situação em que se encontram e criem formas de organização que permitam a esta massa imensa de portugueses participar na luta que mais tarde ou mais cedo ditará a ruptura política desejada.

Muitas vezes se procuram, de forma mais ou menos criativa, palavras de ordem sonantes e mobilizadoras.

Perante a violência da ofensiva política e ideológica do governo e a passividade do PS, preso aos compromissos assumidos no pacto de agressão assinado com o FMI/BCE/EU, há uma palavra de ordem imposta pela realidade: depois da Greve Geral não haverá dia sem luta.

 

Sobre Eduardo Luciano

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