Estado da Nação

Por em 12 de Julho de 2012

Passos Coelho afirmou que “as mudanças são imprescindíveis, se queremos olhar para o futuro com confiança e esperança”, ontem no debate do estado da Nação, na Assembleia da República, acrescentando que “os grandes objetivos que o Governo assumiu desde a tomada de posse não serão abrandados”.

O Primeiro-Ministro começou por recordar que “o caminho difícil que começámos a trilhar” neste ano “nos foi em grande medida imposto por estas circunstâncias, que os primeiros passos desse caminho devem conservar uma consciência viva dos perigos que então ameaçavam o nosso modo de vida e o nosso Estado social, e que poderiam por em causa irreversivelmente as nossas aspirações como pessoas e como povo”.

Ao fim deste ano, “a experiência recente mostra como fizemos bem em definir um rumo claro, em aceitar sem hesitação as nossas obrigações internacionais e assumir a nossa responsabilidade para com os Portugueses. É muito claro que um caminho menos responsável e mais vacilante teria conduzido a uma progressiva perda de confiança internacional nas nossas capacidades e a uma correspondente perda de controlo sobre o nosso destino”.

O Primeiro-Ministro sublinhou que “a rapidez e a credibilidade do nosso ajustamento nos têm valido condições de financiamento do Estado mais favoráveis do que eram há um ano; ou uma correção do défice externo que superou todas as previsões, a ponto de agora o Banco de Portugal estimar o equilíbrio iminente da nossa balança comercial pela primeira vez desde há muitos anos.

Mas também não ignoramos que a evolução do desemprego foi mais gravosa do que inicialmente se anteviu, e que precisamos de combatê-lo mais eficazmente”. “Sabemos que existem riscos consideráveis associados ao nosso plano de consolidação orçamental, mas também sabemos que aquilo que está mais diretamente sob o controlo do Governo, isto é, as despesas das Administrações Públicas e do Sector Empresarial do Estado, está a ser reduzido a um ritmo não menos considerável”, acrescentou.

Referindo-se à situação internacional, Pedro Passos Coelho afirmou que “o último ano sinalizou, deste ponto de vista, uma orientação nova. As preocupações europeias são as nossas preocupações. Os progressos na nossa recuperação são progressos europeus. Agimos num concerto europeu de que fazemos parte, mas que não depende apenas da nossa vontade”, referindo com exemplo “a chamada União Bancária, que tem como propósito fundamental evitar que as dificuldades de financiamento dos Estados contagiem o financiamento normal das empresas e das famílias, os seus planos de investimento e os seus projetos de crescimento”.

Mas, “sobretudo – reiterou -, não podemos pensar que os nossos problemas devem ser resolvidos por outros. Os nossos problemas são também os problemas comuns europeus. A crise europeia não pode nunca ser vista como uma entidade distante, que diz respeito a outros. As responsabilidades que assumimos, e que devemos assumir, são também parte de uma resposta comum”.

António José Seguro…ataca ”desça à terra, o país vai de mal a pior“

O secretário-geral do PS disse a Passos Coelho que o “país vai de mal a pior” e pediu ao primeiro-ministro para que “desça à terra” e fale sobre os problemas reais dos portugueses.

António José Seguro, num discurso duro e assertivo na reação à intervenção inicial de Pedro Passos Coelho na abertura do debate sobre o “Estado da Nação” na Assembleia da República, acusou o líder do Executivo de coligação PSD/CDS-PP de não ter falado “sobre o estado do país”, acrescentando que quem o ouviu “até parecia que ia tudo bem”.

“Infelizmente o país vai de mal a pior e o seu discurso senhor primeiro-ministro está desligado da realidade. Desça à terra e fale do nosso país e da vida real dos portugueses”, atacou António José Seguro.

O secretário-geral do PS acusou o primeiro-ministro de fazer um discurso de “autoelogio e de autossatisfação”.

“Disse que o seu Governo fez um balanço e que concluiu que estamos no bom caminho. Mas estamos no bom caminho com 823 mil desempregados, dos quais 160 mil são jovens e 116 mil são jovens licenciados”, questionou.

“Há mais de 70 mil portugueses a emigrarem por ano, mas para o primeiro-ministro estamos no bom caminho (…), há 6228 famílias insolventes no primeiro trimestre do ano, mas para o primeiro-ministro estamos no bom caminho, há mais 18 mil novos pedidos de rendimento social de inserção, mas para o primeiro-ministro estamos num bom caminho, há milhares de pequenas e médias empresas sem financiamento, mas para o primeiro-ministro estamos no bom caminho”, relatou.

Em seguida, António José Seguro fez um ataque à política de nomeações do Governo, o que suscitou fortes aplausos entre os deputados socialistas.

“Senhor primeiro-ministro, no bom caminho podem ir alguns seus companheiros de partido, que depois das privatizações vão para a EDP e REN. No bom caminho podem ir as pessoas que o senhor nomeou para as Águas de Portugal, para a Caixa Geral de Depósitos, mas no bom caminho não vão os portugueses, nem vai Portugal”, disse.

Seguro confrontou Pedro Passos Coelho com os resultados da política de austeridade no momento em que a meta de défice está em risco no final deste ano.

“Responda aos portugueses: Para que valem os sacrifícios que estão a fazer? O que falhou na sua receita de austeridade a qualquer preço?”, questionou.

O secretário-geral socialista observou que os mais recentes dados da execução orçamental apontam para uma derrapagem na ordem dos dois mil milhões de euros no final do ano.

“É preciso que diga com clareza que medidas adicionais vai tomar este ano para corrigir a sua derrapagem orçamental, o seu desvio colossal”, insistiu.

 

Sobre Redacção Registo

Deixar um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.