Bancos podem ajudar a promover o desenvolvimento sustentável

Por em 23 de Novembro de 2012

O poder das instituições de crédito para a promoção de uma nova economia sustentável e a sua responsabilidade na atual crise são alguns dos temas abordados no livro “A Banca em Portugal e a Economia Verde”, da autoria da economista Sofia Santos e debatido hoje por Viriato Soromenho-Marques em Lisboa, na Fundação Luso-Americana.

A possibilidade de os bancos poderem proteger o bem-estar ambiental e os recursos naturais está longe dos pensamentos da maioria da população portuguesa, apesar de existirem já práticas bem implementadas em bancos internacionais. Como a crise financeira de 2008/2009 demonstrou, as atividades da banca conseguem influenciar a economia real e ter consequências na vida de cada um de nós. Por isso mesmo, a forma como o dinheiro é utilizado pelos Bancos, pode ter consequências relevantes no ambiente com impacte directo nas vidas das populações.

Na obra e face aos que defendem que a crise financeira que deflagrou em 2008 poderia ter sido evitada – Sofia Santos aponta as fragilidades existentes na banca no que diz respeito à forma como o risco das empresas é analisado. Afirma que «se os bancos decidirem emprestar dinheiro a projectos em que os riscos ambientais estão devidamente acautelados e disponibilizar, por exemplo, condições financeiras mais vantajosas na aquisição de bens que sejam mais amigos do ambiente, estão assim a promover a produção e o consumo sustentável, que está no centro da Política Europeia para 2020».

Para a autora, a grande maioria dos bancos portugueses reconhecem que os riscos ambientais dos projectos aos quais emprestam dinheiro são muito importantes no processo de empréstimos. Contudo, apenas um banco atribuía muita importância a esse factor na determinação das condições financeiras do empréstimo. O livro evidencia assim a falta de conhecimento generalizado sobre os desafios futuros que irão afetar as empresas portuguesas e, consequentemente, a qualidade da certeira de crédito existente.

Por outro lado, Sofia Santos fala da iminência do aparecimento de uma nova geração de bancos, especialistas e especializados, que analisam e agem em conformidade com as tendências futuras dos setores em que operam, que conhecem os seus clientes e os aconselham de forma ativa e criteriosa. Estes bancos, normalmente chamados de bancos éticos, têm apresentado resultados financeiros bastante melhores do que os bancos tradicionais.

 

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