Défice agrícola e alimentar atinge 3800 milhões de euros

Por em 21 de Setembro de 2012

A balança comercial de produtos agrícolas – indicador do Instituto Nacional de Estatística (INE) que mede a diferença entre exportações e importações de bens agroalimentares, peixe e produtos florestais – agravou-se 9 por cento em 2011 face ao ano anterior. As importações atingiram 6019 milhões de euros. As exportações ficaram-se pelos 2225 milhões de euros (um crescimento de 13% em relação a 2010).

Portugal compra ao estrangeiro cerca de 1320 milhões de euros em peixes e crustáceos, sendo este o produto com maior peso nas importações (22% do total). Na segunda posição surgem os cereais, que custaram ao país 842 milhões de euros, cifra que se poderá agravar este ano face à diminuição da área semeada e à baixa produtividade resultante do período de seca.

Por isso, a Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC) tem vindo a defender a adoção de uma “estratégia nacional” que permita reduzir o défice da balança comercial do setor. “Os Estados Unidos e a Austrália são dois grandes exportadores e têm uma média de produção de 2 toneladas por hectare, semelhante à nossa”, diz Bernardo Albino, presidente da ANPOC, acrescentando que a diferença está ao nível das políticas públicas. “Nesses países, o Estado colabora ativamente com um setor que é estratégico e em Portugal isso nunca sucedeu”.

A questão está em “não centrar” os apoios exclusivamente na competitividade mas também nas necessidades alimentares do país. “Há alguns anos o ministro Jaime Silva dizia-nos que não valia a pena produzir cereais porque os franceses conseguem produtividades por hectare muito superiores às nossas”. O resultado foi o progressivo abandono das culturas e o agravamento da dependência face ao exterior.

Em produtos como carne, leite, frutas, sementes e gorduras animais e vegetais (onde se inclui o azeite) o volume das importações anuais corresponde a cerca de 500 milhões de euros.

Foi também o grupo dos peixes, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos que mais contribuiu para o valor total das exportações de produtos agrícolas em 2011 (com um peso de 27%). Neste setor, 2012 começa com boas notícia uma vez que o volume de capturas de pescado tem sido superior ao do período homólogo.

Segundo o INE, só em maio esse crescimento representou cerca de 1%, devido à maior captura de peixes marinhos e de moluscos. Às 13963 toneladas de pescado correspondeu uma receita de 26 milhões de euros, valor que reflete um aumento de 9,6% em relação ao registado em maio de 2011.

Em matéria de exportações agrícolas, destaca-se ainda a importância do grupo das gorduras e óleos (18%) e dos leites e laticínios (13%).

“A taxa de cobertura das importações pelas exportações foi de 37%, evidenciando uma situação deficitária que, estendida ao período em análise, se comprova ser estrutural. A incapacidade de implantação deste setor na economia nacional é confirmada pela relação do saldo da balança comercial com o PIB, traduzida por um resultado negativo e de fraco crescimento positivo no período em análise (-2,3% a -2,0%)”, assinala fonte do instituto.

Espanha continua a ser o principal parceiro português, correspondendo a 44% do valor transacionado nas importações e a 48% nas exportações de produtos agrícolas. Nas vendas ao exterior, Brasil e Angola surgem na segunda e na terceira posições, com 10% e 8%. As exportações de produtos agrícolas para estes países cresceram entre 2009 e 2011 a uma taxa média de 31% e 35%, respetivamente.

Portugal vende para o Brasil gorduras e óleos, animais ou vegetais (52% das exportações agrícolas), peixes, crustáceos, moluscos e outros invertebrados (30%) e frutos (16%). Para Angola seguem gorduras (44%), leites (18%) e carne (14%).

No caso específico da balança agroalimentar – categoria onde se incluem bebidas e vinhos e preparações de produtos hortícolas, de frutos e de carnes (como enchidos e conservas), entre outros – o défice foi de 308 milhões de euros, mas com uma recuperação de 20% face a 2010 e de 37% em relação a 2009.

Exportações de produtos florestais crescem 21%

O saldo da balança agrícola só não é mais negativo porque as florestas ajudam a “equilibrar” as contas com excedentes comerciais desde 2006 e que em 2011 se aproximaram dos 2 mil milhões de euros (um crescimento de 48% num ano). Segundo o INE, a taca de cobertura das importações pelas exportações é agora de 191% e a fileira florestal já vale 1,1% do PIB.

As exportações de produtos florestais cresceram 21%, resultado para o qual contribuíram praticamente todas as indústrias do setor, destacando-se como as principais impulsionadoras a indústria de papel e cartão e a indústria da cortiça. Em conjunto representam 59% do valor total das exportações desta fileira, sendo que o papel e cartão é o produto mais exportado, significando receitas de 1,580 milhões de euros.

 

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