Desemprego jovem nos 35%

Por em 22 de Fevereiro de 2012

António José Seguro afirmou, “que os jovens exigem do Governo medidas e não comissões para combater o desemprego”, reiterando que “o Executivo de direita não está preparado para enfrentar as dificuldades”.

“O que os jovens portugueses exigem do Governo são medidas, não são comissões”, afirmou Seguro, quando questionado sobre a nova Comissão Interministerial de Criação de Emprego e Formação Jovem.

Seguro salientou que “um executivo que ao fim de oito meses em funções vai criar “uma comissão para apresentar e estudar medidas” é “naturalmente um Governo que não estava preparado para enfrentar estas dificuldades”.

Seguro acusou Passos Coelho de estar a “enterrar o país” com as suas receitas para a crise, confrontando-o com uma taxa de desemprego de 14 por cento em Dezembro de 2011, quando a previsão para Dezembro de 2012 era de 13,4 por cento, segundo o Orçamento do Estado.

O líder socialista teceu duras críticas às opções do executivo salientando que a receita está errada, aconselhando o primeiro-ministro a mudar de caminho e a dar prioridade ao emprego e ao crescimento económico.

Para isso é necessário, disse, que o Governo aposte na defesa de políticas de apoio às empresas e ao crédito, responsabilizando Passos Coelho de estar a pôr “os portugueses a pão e água”.

“Está a levar-nos para a tragédia, o seu seguidismo em relação à senhora Merkel está a enterrar o país. O senhor governa há oito meses, de uma vez por todas assuma os resultados da sua política”, exortou Seguro, no decurso do debate quinzenal na Assembleia da Républica.

No final de sua intervenção António José Seguro disse, ainda, estranhar a posição do primeiro-ministro que considerou que Portugal “não tem um problema de crédito”, afirmação que o líder socialista classificaria como uma opinião que “ficaria para a História”.

“O senhor primeiro-ministro disse que Portugal não tem um problema de crédito, pois bem, eu desminto-o, Portugal, a nossa economia, tem um problema de crédito, só um país com empresas pujantes dinâmicas, a produzir, é que pode gerar riqueza para pagar dívidas e criar postos de trabalho”.

O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, recebeu, entretanto, ao longo desta semana, os parceiros sociais para debater soluções para os jovens desempregados, cuja taxa ultrapassava, no final do ano passado, os 35%.

A taxa de desemprego dos 15 aos 24 anos atingia os 35,4% no final de 2011, segundo números divulgados na semana passada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que revelam que houve uma subida significativa no quarto trimestre de 2011, chegando aos 14%, mas o aumento foi ainda mais expressivo entre os mais jovens.

No segundo trimestre de 2011, o desemprego jovem estava nos 27%; no terceiro, passou para 30%; no quarto, deu um ‘salto’ de mais de cinco pontos percentuais, para 35,4%, o que significa que há agora, segundo os números do INE, 156 mil jovens desempregados, mais de um terço do total deste grupo etário.

Medidas concretas para combater problema

É com este pano de fundo que o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares reuniu com os parceiros sociais, no âmbito do novo cargo de coordenador da Comissão Interministerial de Criação de Emprego e Formação Jovem.

A Comissão Interministerial integra 12 secretários de Estado, nomeadamente o do Emprego, o da Administração Pública e o dos Assuntos Europeus. De acordo com um comunicado do gabinete do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, o Governo “compromete-se a apresentar medidas concretas para combater o desemprego jovem”.

Iniciativa lançada por Durão Barroso

Portugal receberá nas próximas semanas a visita de uma “equipa de ação” da Comissão Europeia destinada a estudar a forma de utilizar fundos comunitários para reduzir o desemprego jovem.

Esta iniciativa foi lançada pelo presidente da Comissão, José Manuel Durão Barroso, durante o Conselho Europeu de Janeiro, e visa reduzir o desemprego jovem nos oito países da União com taxas mais elevadas. Na definição europeia da taxa de desemprego jovem, Grécia e Espanha têm as taxas mais altas, quase nos 50%, e Portugal é o terceiro país com mais jovens desempregados, acima dos 35%.

A Comissão liderada por Miguel Relvas deverá “enquadrar as políticas de juventude de uma forma global e articulada”, agilizar os mecanismos de apoio às PME, ao nível de fundos da União Europeia, de modo a “aumentar as oportunidades de emprego.

Desemprego no Alentejo

A Taxa de Desemprego registada no Alentejo no 4º trimestre de 2011 atingiu os 13,1%. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística. Neste período as taxas de desemprego mais elevadas verificaram-se no Algarve (17,5%), Região Autónoma dos Açores (15,1%), Lisboa (14,7%) e Norte (14,1%). Os valores mais baixos foram registados no Centro (12,6%), no Alentejo (13,1%) e na Região Autónoma da Madeira (13,5%).

Face ao trimestre anterior a Taxa de Desemprego aumentou no Alentejo 0,8%.

Em 2011 a taxa de desemprego média anual na região foi de 12,4%.

Em Portugal a taxa de desemprego no 4º trimestre de 2011 foi de 14%. O INE refere que este valor é “superior em 1,6 pontos percentuais ao do trimestre anterior”. De acordo com a mesma fonte havia, no último trimestre do ano, 771 mil desempregados, o que representa um acréscimo trimestral de 11,8%.

Ao todo, em média no ano de 2011, a taxa de desemprego no País foi de 12,7% e registaram-se 706,1 mil desempregados.

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