Alunos do secundário competiram pelos melhores projectos de Química

Por em 12 de Janeiro de 2012

No âmbito das atividades comemorativas do Ano Internacional da Química 2011, o Centro de Química de Évora e o Departamento de Química da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora promoveram o “Concurso CSI – Compreender, Saber, Investigar a Química”.

Esta iniciativa teve como objetivos principais fomentar o interesse pela Química, estimular o espírito de iniciativa, criatividade e literacia científica dos alunos, bem como, demonstrar a importância da Química na satisfação das necessidades da Sociedade Moderna e no bem-estar da Humanidade.

O CSI contou com a participação de uma centena de alunos provenientes de 16 escolas secundárias pertencentes aos distritos de Bragança, Aveiro, Porto, Lisboa, Castelo Branco, Lisboa, Santarém e Évora.

Dos 35 trabalhos concorrentes destacaram-se “Sabão de inverno – A Química na Proteção do Ambiente” e “Química e Arte” vencedores, respetivamente, do Prémio Repsol para o melhor trabalho, i-pads, e da menção honrosa Repsol, i-pod.

A professora responsável pelo projeto “Sabão de inverno”, Margarida Duarte da Escola Secundária de Azambuja (Santarém), referiu que facto dos índios da Amazónia lavarem os seus utensílios fazendo uma mistura de sebo de animal com cinzas das fogueiras e das pessoas do campo, antigamente, arearem os tachos e panelas com cinzas das lareiras para ficarem brilhantes despertou a curiosidade e levou-os a investigar….

A investigação no laboratório, realizada pelas alunas Maria Vieira, Carolina Marques, Tiago Caria, Andreia Firmino e Rita Narciso, consistiu em apurar as “receitas” de sabão duro e sabão líquido, substituindo gradualmente o hidróxido de sódio por “água de cinzas”.

As cinzas, por terem uma percentagem elevada de ião potássio permitem obter um sabão mais macio e com boas qualidades de lavagem. Depois de fervidas e coadas, as cinzas, são devolvidas ao solo (no jardim da escola) pois, como já não apresentam o caráter alcalino inicial, são inofensivas para as plantas.

Todos os recipientes utilizados no fabrico do Sabão de inverno são reutilizados: baldes de tinta para a massa de sabão; pacotes de leite para as formas; garrafas de água para embalagem do sabão líquido.

Este projeto envolveu não só a escola como a comunidade doando óleo usado, cinzas e embalagens e no final todos receberam sabão de inverno.

Segundo o júri do concurso, constituído por professores do Departamento de Química e membros do Centro de Química de Évora, a escolha do trabalho vencedor resulta da originalidade e relevância social do conceito apresentado, a forma inteligente como foi desenvolvido o trabalho e o esforço despendido para um resultado final harmonioso, onde ressalta uma bela ilustração do método científico.

O trabalho promoveu o contacto com a realidade extraescolar e a valorização dos conhecimentos e das vivências da comunidade local.

As preocupações ambientais revelam-se através da reciclagem/reutilização de resíduos domésticos conducentes à obtenção de produtos com aplicação prática quotidiana.

A menção honrosa Repsol foi atribuída a Bernardo Dias aluno do Colégio Cedros (Vila Nova de Gaia) que desenvolveu, sob orientação do Professor Nuno Francisco, um pequeno filme sobre o tema “Química e Arte”. De acordo com o júri esta menção justifica-se pela originalidade e qualidade da abordagem ao tema, pelo equilíbrio entre forma e conteúdo e pela beleza intrínseca da peça, que faz dela um agradável documentário. A peça manifesta uma preocupação cuidada com todos os pormenores e permite redescobrir a importância da química na vertente da Arte, constituindo-se ela própria uma agradável obra artística.

Química, através de tudo

O presidente da Comissão Nacional do Ano Internacional da Química 2011 e do Centenário da Sociedade Portuguesa de Química, Jorge Calado, esteve na Universidade de Évora como convidado do Centro de Química de Évora e do Departamento de Química da Universidade de Évora para a sessão de encerramento do Ano Internacional da Química 2011 na UE.

Jorge Calado falou sobre a sua obra “Haja luz! Uma história da química através de tudo” que mostra como a química é útil, divertida, perigosa, bonita, estimulante, frustrante, e indispensável a todos. Para o orador “a química está entrelaçada às outras ciências, como a biologia e a matemática, mas também às artes como a literatura, a música, o cinema e a fotografia.”

Jorge Calado mostra como a química moderna deriva do conhecimento do fogo da combustão e do raio do relâmpago, isto é, da energia. Calor e electricidade permitiram analisar a terra, a água e o ar, até chegar ao conceito de elemento, representado pelo átomo.

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