Crónicas da Transtagana

Por em 6 de Abril de 2020
DR - Florbela Vitorino

Mãos à obra” – e hoje não podemos apertar a mão a ninguém.

Olhamos para trás e no princípio da caminhada encontramos uma expressão corriqueira, mas cheia de determinação: “mãos à obra”.

Em cada encontro sentimos que ficámos mais ricos pela experiência e pelo ensinamento.

Afeiçoamo-nos aos lugares e às pessoas.

Ouvimos as histórias contadas, com emoção, com alegria muitas vezes. Sentidas sempre.

E lemos comoção nos olhares.

Espreitamos para fora da objetiva e pousamos o caderno de apontamentos para, mais que os saberes, partilhar inquietações que passaram a ser nossas.

E em cada crónica e em cada dia vemos mãos que também são identidade.

Foto Florbela Vitorino

Mãos que têm alma e mãos que ensinam, mãos que arquitetam cortes de cabelo e mãos que seguram a história das casas de cortiça ou que cozinham e servem vinho na taberna.

E vimos no rio mãos que jogam com os seixos, e sorriem e apertam o peito para segurar o carinho e conter o desgosto.

E soubemos que cada expressão pode ser sublinhada pelas mãos que desfiam memórias, fazem poesia a carvão e vendem lendas.

E vimos,

Mãos que fixam a arte

Mãos que guardam memórias

Mãos que são livres

Mãos que ordenham

Mãos que conhecem a serra

Mãos que acreditam no futuro

Mãos que são para o negócio

Mãos que nos dão música

Mãos que desenham máquinas

Mãos que estão calejadas do varejo

Mãos que moldam madeira

Mãos que tecem

Mãos que dançam.

E hoje não podemos apertar a mão a ninguém.

Texto. José Pinto
Fotos: Florbela Vitorino

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