Luís Santos

Por em 2 de Junho de 2020
DR

O capricho de uns é a desgraça de outros!

A tourada à portuguesa é das artes performativas mais antigas da nossa portugalidade, é uma arte e como tal, faz parte da rica cultura da nossa nação, e pelos princípios básicos da liberdade de expressão que nos concede a democracia do Estado Português, é nosso dever respeitá-la e respeitar quem dela tira proveito não só a nível cultural e social, como também económico.

Segundo o artigo 73 nº3 da Constituição Portuguesa: “O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação de cultura”, portanto o Estado é o principal garante de todos os portugueses à sua cultura, porque a cultura não é posse de ninguém, não é posse de nenhum governo ou de nenhum grupo de pessoas.

O Decreto de Lei nº89/2014 do dia 11 de junho que diz: “A tauromaquia é nas suas diversas manifestações parte integrante do património da cultura popular portuguesa”, o que confirma categoricamente que a república portuguesa reconhece que existe na tauromaquia fruição cultural popular. O ataque que sobejamente temos vindo assistir ao longo do governo de Costa, secundando pelo Sr. do PAN atenta contra a vontade popular que se revê na tourada como parte importante da sua manifestação cultural.

Existem nestes ataques tiques ditatoriais que não são saudáveis à nossa bem dita democracia, esta elite que se acha dona e senhora da moral, que tenta diariamente mandar naquilo que são ou não os bons costumes ou que se acha bem pensante, ao ponto de ver na língua portuguesa motivos de discriminação sexual e racial, não pode  menorizar o país real, apagando a vontade popular de milhares de portugueses no nosso país.

Mas a tauromaquia não comporta só a componente cultural, nela reside também associado uma componente social e económica muito importante, sobretudo nas zonas esquecidas pelo poder político oligárquico da III República, encabeçado pelo governo do Partido Socialista de António Costa.

A tourada no país real está associada às festas populares de cada cidade, vila e aldeia. Esta ligação traz pessoas a um interior cada vez mais deserto, e é muitas vezes a única oportunidade de esses territórios fazerem trocas comerciais e ganharem o seu salário.

Em média para fazer acontecer uma tourada são precisas 175 trabalhadores diretos, fora os empregos indiretos associados à prática tauromáquica, que não podem ser marginalizados, bem como as mais de 70 praças por todo o território entre muitas que são montadas para o efeito.

Existe a infundada mentira apregoada pelos papagaios que têm como verbos mais utilizados nos seus discursos e textos: proibir, acabar e extinguir. Que a tauromaquia é apoiada pelo Estado tal como o teatro, o ballet ou a música, entre outras atividades culturais importantes, mas tal não corresponde à verdade.

Quem vive da tauromaquia, sejam eles os cavaleiros, os empresários, os ganadeiros, veterinários, transportadores, trabalhadores do campo ou da praça, ganham o seu rendimento diretamente desta atividade, que tal como todas as demais se viram impedidas de acontecer por causa do vírus que continua a condicionar a forma normal de viver da nossa sociedade global.

Não é justo que por capricho ideológico de Costa e do Sr. Do PAN, os agentes ligados à tauromaquia não possam usufruir dos mesmos apoios que todos os outros agentes culturais. Onde está a igualdade que tanto apregoam com a mão a bater no peito?

Sublinho que sem atividade, estas pessoas estão assim votadas ao menosprezo do Estado e que, portanto, estarão também empurradas para a pobreza, por decisão regia de António Costa, tal como afirmou no último debate quinzenal de 20 de maio de 2020.

Os mesmos que compram com o dinheiro público o silêncio e a propaganda da comunicação social, são os mesmo que querem impor a sua vontade aos outros, cheira muito a outros tempos.

No fundo nós não temos de gostar todos do mesmo, a cultura é livre, mas é no respeito pelas diferenças de cada um que podemos defender a nossa cultura e a nossa democracia, baseados nos valores fundamentais do humanismo, na exaltação da pessoa humana e nas liberdades de escolha de cada um de nós.

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