Olival sustentável

Por em 29 de Fevereiro de 2020
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Estas são as principais conclusões do projeto O projeto ECOLIVES – Gestão sustentável em olivais mediterrânicos: serviços de controlo biológico providenciados por espécies silvestres como incentivos para a conservação da biodiversidade, coordenado por José Herrera, investigador do novo Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento da Universidade de Évora (MED-UE) da Universidade da de Évora.

Para José Herrera, “o aumento da intensificação na gestão, bem como o incremento da área de olival, está diretamente relacionada com uma marcada diminuição do número e da abundância de espécies de vertebrados e invertebrados.” Por tratar-se de espécies que se alimentam exclusivamente de insetos (incluindo as espécies praga), esta diminuição de espécies tem consequentemente um impacto negativo para os produtores dado que afeta a potencial prestação de serviços de controlo biológico nos próprios olivais.

De referir que “a perda de complexidade estrutural é a causa principal deste declínio, já que a homogeneização do padrão de plantação e a redução da área natural na paisagem envolvente diminui a probabilidade dos olivais serem usados como áreas de alimentação ou de criação” sublinha o investigador da UÉ.

A equipa do projeto refere que as pragas agrícolas, e o decorrente uso de agroquímicos, estão entre as principais causas de prejuízo económico. Recentemente, vários estudos apontam que a utilização de meios naturais de combate às pragas (conhecidos como serviços de controlo biológico – SCB) possa constituir uma forma eficaz, ecológica e lucrativa de reduzir os prejuízos na produção agrícola e a utilização de agroquímicos. Contudo, a aplicabilidade e investimento neste tipo de estratégias estão ainda muito condicionados pela falta de conhecimento da ecologia e dos processos que permitam a gestão dos SCB a longo-prazo.

José Herrera faz recordar que “o olival no Alentejo tem aumentado consideravelmente durante os últimos anos, tornando-o num cenário chave para a conservação da biodiversidade. No entanto, estudos recentes sugerem que o aumento substancial da superfície destinada a este cultivo bem como as práticas de gestão aplicadas apresentam um impacto negativo considerável sobre a quantidade e abundância de inúmeras espécies. Paradoxalmente, muitas destas espécies têm demonstrado bastantes benefícios para os sistemas agrícolas, incluindo para o próprio olival.”

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