«Geopoética: cartografia dos sentidos» inicia conjunto de Aulas Abertas na igreja de São Vicente

Por em 2 de Novembro de 2012

A Colecção B, associação cultural, promove a partir de Outubro na Igreja de S.Vicente um conjunto de aulas abertas ao público — uma iniciativa de formação transversal que cruza formação especializada, perspectivas de intervenção artística e de reflexão crítica, num conceito informal de Univer-Cidade aberta à cidadania e à participação. As aulas abertas visam formar e informar públicos e fazer circular debates críticos, promovendo um espaço de partilha e de discussão entre artistas, pesquisadores e público.

Em cada sessão serão convidados especialistas para trazerem perspectivas abrangentes, debates estimulantes e reforço críticoem volta da questão da cidadania.A iniciativa arrancou ontem com a professora e investigadora Lilian Amaral, que irá apresentar ‘Geopoética:cartografia dos sentidos’, uma perspectiva que explora as novas possibilidades de estudo sobre a Realidade Urbana Aumentada, campo de discussão cada vez mais importante nos discursos e negociações do espaço da arte contemporânea.

Lilian Amaral é uma artista e investigadora brasileira que tem dado particular atenção aos modos de cruzar a actividade artística com as práticas urbanas, os movimentos e as sensibilidades sociais. Professora e curadora, além de investigadora e artista, o seu percurso conjuga um amplo repertório de trabalhos em várias áreas que se complementam fortemente com a criação artística e a promoção de um campo de efectiva acção para a arte.

“Sob o signo das geopoéticas, com efeito, Lilian Amaral aborda as práticas e os praticantes das cidades, que nelas atualizam os projetos urbanos e o próprio urbanismo, através da prática de tais espaços. Os urbanistas indicam usos possíveis para o espaço projetado, mas são aqueles que o experimentam no cotidiano que, de fato, os atualizam. São as diferentes ações, apropriações ou improvisações mediadas pelo pensamento crítico apontado pela Arte Pública Contemporânea, Arte Urbana por excelência – Ambiental, Relacional, Contextual — que podem agenciar e extrapolar a circunscrição das experiências nos espaços convencionados ao consumo privado da arte em direção aos espaços da vida, das experiências no espaço público pelos habitantes, passantes ou errantes que reinventam tais espaços no seu quotidiano.

R.U.A.: «Realidade Urbana Aumentada», é um projecto de pesquisa de Pós-Doutoramento em processo no Brasil [UNESP] e em Espanha [Universidade de Barcelona] que integra, a um só tempo, reflexão teórica e prática artística acerca de uma das modalidades de arte contemporânea que mais se têm destacado nos debates em circuitos artísticos e culturais atuais, precisamente a arte pública / arte urbana expandida no campo da esfera e redes sociais, apontando mutações e tendências em contexto nacional e internacional.

Articula-se numa perspectiva interdisciplinar de reflexão/ação, contribuindo para provocar e estreitar os contornos e interstícios do pensamento e da prática artístico-crítica, criando dispositivos de interlocução, mediação, atuação e difusão da arte em rede, no contexto da vida quotidiana, tecendo arquiteturas de relações em âmbito “glocal” – do local ao global.

Lilian Amaral

Lilian Amaral é artista visual graduada pela FAAP. Mestre e Doutora em Artes pela ECA / USP. Pesquisadora das Universidades Complutense de Madrid, UDG/ Girona, Universidade de Barcelona / Espanha. Pós-doutora e Pesquisadora Cnpq pelo GIIP – Grupo Internacional e Interinstitucional de Pesquisa em Convergência entre Arte, Ciência e Tecnologia – no Instituto de Artes da UNESP onde Coordena a Linha de Pesquisa Arte e Media City com foco em Estratégias Contemporâneas para incidir sobre o Patrimônio.

Dirigiu o Museu Antropológico e Arqueológico da PUC Campinas, 2006/2007. Diretora do Museu Aberto BR, projeto que estabelece analogias entre museus e cidades em transformação. Diretora do coletivo artístico de Arte Pública POCS | Barcelona. Prêmio Mobilidade Internacional SANTANDER USP, 2008. Curadora Cultural e Educativa de Bienais Internacionais de Artes e Arquitetura junto à Fundação Bienal de São Paulo. Curadora do projeto Arqueologia da Memória: uma micro história na Megacidade, SESC SP, PMSP, UNESCO, 2004 e Arqueologia da Memória: nas Trilhas doaço, Curitiba, FCC, IPHAN / Projeto Monumenta / UNESCO. Curadora de Artes Visuais do Programa Porto Alegre, Cidade Criativa, Santander Cultural, Porto Alegre, UNESCO. Curadora do projeto ibero americano iD Bairro SP, Secretaria de Estado da Cultura, CCE SP | AECID, IDensitat | ES, 2010 / 2011. Curadora do Festival Internacional TRANSPERFORMANCE, Oi Futuro, 2011. Organizadora do Projeto R.U.A.: Realidade Urbana Aumentada. Cartografias inventadas, São Paulo/Barcelona, 2012/2013, integrante do projeto Zonas de Compensação, UNESP/Instituto de Artes, AECID/Centro Cultural da Espanha.”

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