Austeridade sem fim

Por em 19 de Outubro de 2011

Os que votaram no PSD e contribuíram para eleger Pedro Passos Coelho (PPC), devem estar nesta altura a perguntar-se: foi para isto que te elegemos Pedro? Com efeito desde a sua tomada de posse rasgou todos os contratos eleitorais que celebrou com o seu eleitorado.
Destruiu todas as esperanças que nele depositaram, nada resta. PPC participou activamente na elaboração do Orçamento de Estado para 2011, através de uma equipa liderada pelo Dr. Catroga.
Condicionou a sua aprovação em muitas matérias que foram contempladas no documento final. Participou activamente nas negociações com a Troika e foi o PSD que propôs que a Taxa Social Única (TSU) funcionasse como alavanca para a competitividade das empresas, através da sua redução significativa.
Propôs cortes na Despesa que impedisse novos aumentos de impostos, o corte do Subsídio de Natal era uma estupidez, que nunca poderia acontecer. Nunca como nestas eleições um candidato a Primeiro-ministro conhecia tão bem as contas públicas. Estava na posse de toda a informação. Nada justifica que não tivesse dito aos Portugueses ao que vinha.
O último anúncio que fez aos Portugueses, amputando o subsídio de férias e o de natal, pelo menos nos próximo 2 anos (eu acho que só serão repostos em 2105, ano de eleições legislativas), constitui uma verdadeira opção ideológica dado que ataca apenas os funcionários públicos, que não a sua base eleitoral, ao invés de combinar essas medidas com outras que permitissem uma distribuição justa dos sacrifícios.
PPC avança com estas medidas com a invocação de um défice adicional de 3000 Milhões de Euros, quando há pouco tempo falou em 2000 milhões de euros.
De Bruxelas veio logo um comentário de que o Governo Português era obrigado a novas medidas devido ao desvio da Madeira, ao impacto das anteriores medidas recessivas que reduzem a receita fiscal e devido ao agravamento da crise internacional. Desmentiu assim o nosso Governo.
É urgente que o Governo nos explique que desvio é este e as suas razões. Em Florença o Presidente da República fez um excelente discurso, responsabilizando as instituições europeias, Merkel e Sarkosy, pelo actual estado da Europa e crise em Portugal. Concordo na íntegra e lamento que este discurso venha com tantos meses de atraso. Na sua tomada de posse ignorou tudo isto e centro a sua análise nos factores endógenos da crise.
O certo é que sem uma intervenção coordenada da Europa , que permita injectar recursos na economia e estimule o consumo não haverá crescimento, não haverá receitas fiscais e logo não medidas de austeridade que nos salvem.
Aposto singelo contra dobrado, em que até final do primeiro trimestre de 2012 o Governo nos apresenta novo pacote de austeridade, porque a evolução das receitas fiscais é tão negativa que o défice continuará a aumentar.
Estamos num ciclo vicioso, no qual mais austeridade gera austeridade adicional. Precisamos urgentemente de um ciclo virtuoso, que permita uma redução da despesa acompanhada de um Programa de Incentivos à Economia, ao crescimento e Emprego. Este Programa terá que ser negociado com a Troika, direccionado recursos para este efeito.
Enquanto este Programa é negociado, é urgente que os 12 mil milhões de euros previstos no memorando da Troika, para recapitalizar a Banca sejam encaminhados para as empresas.
As nossas empresas estão em agonia, sem dinheiro para financiar a sua tesouraria que lhes permita continuar a laborar. O Governo deveria falar de economia quando nos fala de austeridade. Infelizmente só nos fala de austeridade, sem que nos apresente um caminho, para sair desta situação.
Sem esperança, não teremos futuro, estamos a caminhar para a helenização do nosso país. Para nosso mal, não aprendemos com a Irlanda e estamos a mimetizar a abordagem da Grécia. Assim, não vamos lá, Sr. Primeiro-ministro.

Sobre António Serrano

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