Eleições em Espanha

Por em 18 de Julho de 2023
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Um peso, duas medidas ou a história universal da pulhice
humana? 


As próximas eleições em Espanha irão desenhar, a dar  crédito  às sondagens, um novo
mapa político, com o PP a ser de novo o partido mais votado, depois de um longo
interregno em que Espanha foi governada pelo PSOE. 
Independentemente de o PP de Feijó, poder alcançar a maioria absoluta, para assim
poder governar sem a muleta da extrema direita espanhola, representada pelo VOX de
Santiago Abascal, está a ser interessante seguir o debate e as reacções dos espanhóis
sobre a eventualidade de essa coligação poder formar o próximo governo espanhol. 
Sabe-se que o líder do PP,  não a desejando, também não a enjeita.
No cidadão comum que votará PP e VOX, essa aceitação  é apoiada como necessária
para afastar o PSOE e a sua coligação de geometria política regional variável, que teve
de congeminar para poder formar governo. Essa coligação é vista por este eleitorado
como um atentado à sensibilidade e dignidade do povo espanhol, pois alberga partidos
independentistas, com forte influência de antigas organizações que defendiam a
independencia com recurso à luta armada, traduzida em atentados, muitos deles
dirigidos a altos dirigentes e dignitários do regime franquista, que governou Espanha até
1976. 
De facto, o PSOE de Pedro Sanchez, aceitou integrar nas suas listas de deputados
regionais, antigos militantes dessas formações condenados pela justiça espanhola por
crimes que lhe foram imputados e provados. 
Segundo informação oficial em seis anos de actividade os atentados fizeram 900
vítimas. Uma barbaridade de facto. Se juntarmos mulheres e filhos destas vítimas,
temos aqui a dimensão da catástrofe social e humana com que estes atentados marcaram
a Espanha democrática.
 
Claro que o PSOE veio dizer que estes putativos candidatos tinham cumprido as penas
decretadas pela justiça, estando assim no pleno uso dos seus direitos de cidadania, entre
os quais: elegerem e serem eleitos. De qualquer forma, parece ser ética e moralmente
indefensável que crimes de sangue, ainda que com legítimas motivações políticas,
possam ser relevados num tempo histórico tão curto, e impor às famílias enlutadas as
personagens políticas que lhes mataram os familiares. 
Este assunto tem sido alvo de um intenso e aceso debate na sociedade espanhola, mas o
que me parece estar a acontecer é, em grande medida, também uma lavagem da imagem
política das responsabilidades que a extrema direita espanhola igualmente teve no
domínio da violência politica e persucotória exercida sobre quem se opunha ao regime
franquista.
Santiago Abascal e  o VOX estão, tal como estes nóveis partidos, legitimados pela
Constituição e pela lei espanholas, embora pareça que, sendo iguais em direitos e
deveres, uns pareçam querer ser mais iguais que outros.
E o povo o que é que lhe parece? 
Dia 23 teremos as respostas! 

Francisco Sabino
Sociólogo

Sobre Francisco Sabino

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