Luís Santos

Por em 15 de Maio de 2020
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A gruta socialista de onde nunca saímos

A organização dos Estados sempre se afigurou complexa, durante toda a história conhecida encontramos diversas estruturas estatais onde múltiplas correntes de pensamento foram implementadas. É comum a todas estas formas de organização serem construídas em nome de um “bem comum”, privilégio que se foi alargando com o decorrer dos séculos. Este caminho foi assegurado com a criação de uma série de instrumentos capazes de fazer frente aos abusos de poder dos Estados totalitários, o parlamentarismo tomou assim uma importância assinalável.

O século XX ficou marcado pelas experiências fascistas e nazis que levaram a Europa à guerra total, e ao comunismo da Rússia e da China, que levaram a miséria a um extremo que nunca se viu no mundo, as pessoas que viveram essa época serviram de ratos de laboratório em experiências que significaram a morte em massa.

Caro leitor, não se engane, todas estas experiências foram avante em transições nas sociedades. Normalmente a “velha ordem” era derrotada pela “nova ordem”, como é exemplo a transição revolucionária do czarismo para o bolchevismo como caso paradigmático, bem como a derrota das Repúblicas liberais às mãos dos nacionalismos.

O resultado final do século XX é traduzido no seu limiar com a queda do muro de Berlim, acaba assim um século de experimentalismos, mas sobretudo de fanatismos ideológicos que aos poucos se foram esbatendo e de alguma forma modificando.

Portugal tal como Europa seguiu o caminho de muitos estados, a República liberal foi derrotada às mãos de golpes nacionalistas, durante 41 anos existiu uma ditadura repressiva de um só partido que foi derrubada em 25 de Abril de 1974. Nos anos seguintes, foi feita uma tentativa de democratizar as instâncias do Estado Português, no início com um radicalismo extremo de forças afectas ao comunismo e atenuadas pelas forças mais ao centro que construíram uma normalidade.  Acontece que, em Portugal, o esforço de abertura ao mundo livre nunca foi bem visto por pessoas ligadas às ideologias experimentalistas do século XX e isso ainda hoje se nota.

Existem vários exemplos de governos e políticos que ao longo da democracia tentaram bloquear o progresso, a ideia da revolução eterna sustenta este argumento, no entanto, o socialismo ficou mais cosmopolita e a sua propaganda tornou-a numa ideologia económica bem aceite na sociedade, contudo, todas as decisões têm o reverso da medalha e em tempo de crise isso é mais visível.

O socialismo está pensado para tempo de “vacas gordas”, é um sistema que está programado para distribuir, mas não está programado para criar riqueza, no fundo o socialismo é a arte política de empobrecer alegremente distribuindo o que não se tem para dar.

Infelizmente é por isso que os impostos sobem, a engenharia tributária está sempre à caça de mais dinheiro, tem encontrado sempre a fonte para saciar o seu centralismo nas contribuições, que pesam cada vez mais nas famílias e em quem tem a coragem de abrir um negócio.

Existe um negacionismo intrínseco ao socialismo que o leva a centralizar o Estado na sociedade, claro que o fim único desta política é criar um centro todo poderoso capaz de gerir tudo à volta, destruindo o que há de melhor em cada individuo e da forma como a sociedade é capaz de se reinventar a cada instante. Tudo isto entronca mais uma vez no abuso de poder do Estado e temos exemplos disto em toda a história da III República portuguesa, a oligarquia do regime assim o dita no preâmbulo da Constituição ao impor o caminho para o socialismo e nenhum outro.

Casos que exemplificam estas afirmações são, a opção golden share do governo de Sócrates em relação ao negócio da PT,  os 15 milhões de subsídio à comunicação social, a reforma agrária no Alentejo que meteu de joelhos toda uma região, as nacionalizações dos meios de produção e da banca, a ideia que o privado não faz serviço público, ou no limite, o regime de exceção que existe entre o trabalhador do Estado e os outros. Os exemplos referidos são situações onde o Estado se comportou como o todo poderoso, onde a impunidade de alguns em nome de um todo abstrato se sobrepôs às liberdades de cada um.

Este controlo efetivo com que nos deparamos múltiplas vezes condiciona muito o crescimento do nosso país. O controlo colectivo dos recursos dos aparelhos que produzem riqueza só servem para criar bolhas de dependências e de vícios inerentes ao compadrio, no fundo não são escolhidos os melhores. O Estado em vez de criar uma democracia plena passa a ter tiques estranhos de benefícios em causa própria e de algumas tentativas de boicote à liberdade de alguns.

Ainda hoje sentimos algumas forças que boicotam a liberdade do todo, o exemplo manifesto disso está à vista com o 1º de Maio deste ano. Só a alguns foi permitido prevaricar em nome de um sindicato que assume aqui uma importância maior que a saúde do todo. Tiques totalitários em tempos de pandemia.

O Governo decretou acabar com os festivais de verão devido à acumulação de várias pessoas no mesmo local que pode resultar numa contaminação assinável. De seguida, surge o Partido Comunista Português a dizer que o Avante é mais do que um festival, mais uma vez, tiques totalitários em tempos de pandemia.

Como corolário do que tem sido mencionado, uma vez que é de socialismo e da sua tendência de cercear a liberdade alheia que estamos a falar, é importante falar do caso TAP. O Governo socialista de Costa e de Pedro Nuno Santos geriu esta pasta com os pés, cometeu erros atrás de erros e ainda os repetiu na esperança de resultados diferentes.  O que é certo e sem entrar noutros detalhes fastidiosos, é que o primeiro ministro e o seu valido andaram a brincar com o dinheiro colectado aos contribuintes.

Caro leitor, pergunte a si próprio o porquê de tantos impostos directos e indiretos? Pergunte o porquê de Portugal ser um dos países mais endividados da zona euro?  Faça uma reflexão e perceba que nacionalizar empresas falidas, para além de ser um crime que lesa o contribuinte que deu uma boa percentagem do seu rendimento, é uma tentativa frustrada do Estado socializante brincar aos empresários com o dinheiro dos portugueses.

Platão na República escreveu em diálogo a Alegoria da Caverna. Não deixe que o socialismo represente as sombras que os indivíduos acorrentados na caverna viam como a única realidade do seu mundo. Saia da caverna, abandone as grilhetas controladoras do socialismo, veja que existem outras soluções onde o seu trabalho e esforço é valorizado, onde o sistema incentiva o individuo a fazer acontecer, a criar o seu futuro e onde o elevador social funciona, tornando a economia criativa e diversificada, sem o imobilismo associado ao apoio crónico do Estado.

Martin Luther King uma vez disse que o que lhe preocupava verdadeiramente não era o grito dos maus, mas sim o silêncio dos bons. Por isso fuja dessa caverna onde estamos de 1974, olhe para o Futuro e busque pela constante e humana adaptação ao desconhecido.

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