Ana Beatriz Calado

Por em 20 de Setembro de 2023
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Mais uma caneta com o bico estragado

As medidas que o primeiro-ministro, António Costa, veio debitar para Évora no início do ano
político, parecem-me apenas medidas ilusórias, na verdade, ainda ninguém percebeu bem
algumas questões, outras parecem-me incertas e com pouco sumo. Resumindo, parece que
são medidas que saem da boca, mas nunca do papel.
Em primeiro lugar revela que os passes para transportes públicos serão gratuitos até aos 23
anos, deixando a ideia de que era para todos os jovens, percebemos dias depois, que António
Costa, não disse tudo. Na verdade, a proposta só se aplica aos estudantes, ficando de fora
todos os jovens que terminem o curso antes dos 23 anos.
Em seguida, referiu que vão proceder à devolução total das propinas, com o valor de 697€ no
caso das licenciaturas e de 1.500€ para os mestrados, após o início da sua carreira na vida
profissional.
Mas com que parâmetros? Será devolvido a todos os estudantes? A partir de que ano? Quem
devolve? Como se comprova que o estudante já terminou o percurso académico? E os
estudantes que demoram mais de 3 ou 4 anos a terminar o seu curso? São algumas perguntas
que ficaram por responder.
Aqui entra a verdadeira questão sobre este assunto. Sabendo, que quem paga as propinas da
generalidade dos estudantes, são as suas famílias, porque não ter coragem e acabar com a
propina, para quê a engenharia financeira de cobrar agora e devolver depois? No fim do dia, o
Estado tira às famílias, guarda o dinheiro, e depois tem a intenção de dar aos jovens em início
de vida, uma esmola que nem dá para pagar a 1º renda mais a caução de uma casa. Pensará
este governo que é o Robin dos Bosques do Ensino Superior?
Será esta, uma medida séria para fixar os jovens em solo português? Em princípio não, os
dados dizem-nos, que o que castra a vida dos jovens na generalidade são os baixos salários e o
difícil acesso à habitação.
Neste pacote de medidas não se vislumbra nada para estas áreas. Existe uma espécie de
paternalismo deslocado da realidade da juventude portuguesa, está na altura de haver uma
visão crítica por parte dos jovens. Não queremos bilhetes de comboio, nem semanas em
pousadas de juventude. Queremos que o governo tome medidas sérias, num momento muito
sério da nossa vida, onde é muito difícil criar forma de nos emanciparmos. Queremos
reformas!
São 8 anos enquanto primeiro-ministro, não são 8 dias, nem 8 meses. Durante este tempo
menorizou os problemas das novas gerações, encolheu os ombros, empurrou os problemas
com a barriga e agora que esta geração bateu no fundo, ao saber que vai viver pior que a
geração anterior é que chegou à conclusão, de que a sua política socialista não está a fazer
nenhum efeito.
Nós jovens, pagamos quartos com valores astronómicos onde não existe controlo, as
residências para estudantes estão cheias, alugar um T0 ou um T1 está completamente fora de

questão devido às suas rendas e o mais grave é que já não é apenas um problema de
estudantes universitários, este problema continua patente nos jovens que terminam o seu
percurso académico e começam a sua vida profissional porque os salários miseráveis não
acompanham o problema, qualquer dia nem vale a pena o esforço que os jovens fazem para se
formar.
A construção de novas casas não está a acompanhar estes problemas, nunca como na última
década se construiu tão pouco e infelizmente sinto que estamos a viver numa bola de neve,
sem saída à vista. Enquanto tudo isto acontece, o PNAES que prometia 12 mil camas para o
ensino superior em 2018, é hoje uma miragem, o projecto de habitação que António Costa
prometia também em 2018 de mais 26 mil casas, é ele em si um vazio, porque só se construiu
1400 habitações.
Promessas e promessas, medidas e mais medidas, palavras e mais palavras. Na boca do
primeiro-ministro, Portugal não tem nenhuma carência, os jovens são felizes e vivem bem,
mas na prática, António Costa, tem uma caneta com o bico estragado!
É altura dos jovens se instruírem politicamente para que este erro não se volte a repetir.

O futuro depende disso mesmo! Não se iludam…


Ana Beatriz Calado
Estudante de Arquitetura na Universidade de Évora

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