Major Velez Correia

Por em 24 de Março de 2020
DR

CORONAVÍRUS OU COVID 19

            Este flagelo está a causar praticamente em todo o Mundo um certo alarme que tem vindo a aumentar de dia para dia, pois trata-se de uma nova doença contagiosa que se propaga bruscamente e então, tal como tem sucedido noutros casos, tomaram-se imediatamente medidas profiláticas, como isolar os doentes infecciosos de maneira absoluta, não se permitindo sequer (e naturalmente) quaisquer visitas das famílias evitando-se assim, que os gérmens se propaguem. Recordemos que o nosso país foi um campo propício para a expansão de grandes flagelos epidemiológicos, pois com uma extensa linha de costa franqueada aos barcos de todo o mundo, em relações com povos das mais diversas raças e nações, deles recebeu naturalmente diversas doenças que encontraram no país condições favoráveis de grande evolução. Na realidade, a fome, a falta de higiene, as péssimas condições de vida e de trabalho criavam aquelas condições, mantendo Portugal numa escala nada satisfatória em confronto com outras nações civilizadas, pois a taxa de mortalidade por mil habitantes chegou mesmo a ser a mais elevada da Europa.

            A lista de epidemias que surgiram no nosso país, desde a sua fundação, é extensíssima. Vou referir-me, como exemplo, a designada “peste grande” no curto reinado do de D. Sebastião, em 1569. Atacou todo o país, tendo provocado a morte de grande parte das populações de Évora, Coimbra, Santarém e outras, mas Lisboa, segundo os historiadores, foi a que mais sofreu, chegando a morrer mais de 600 pessoas num dia, sucumbindo um total que ultrapassou as 60 mil almas.

            Mas passemos por cima de muitos outros flagelos e quedemo-nos no que sucedeu há precisamente um século, após o final da I Guerra Mundial, a designada pneumónica. A minha mãe era, por essa altura, uma adolescente e contava-nos que na terra onde nasceu (e eu nasci também) a pequena vila de Lavre, no concelho de Montemor-o-Novo, nessa altura com uma população que rondava os três mil habitantes (hoje tem pouco mais de 500) realizavam-se funerais todos os dias e por muito que as pessoas rezassem, fizessem promessas a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da povoação e aos santinhos da sua devoção, além das mesinhas caseiras, o surto não parava e a pneumónica constituiu uma das mais mortíferas epidemias da nossa história. Esta gripe pneumónica teve início no norte, em Vila Nova de Gaia e logo se alastrou por todo o país, precedida de uma epidemia de gripe benigna e de outra de disenteria. Um notável médico de altura atribuiu 103 mil óbitos em 1918/1919, com um aumento paralelo de casos de tifo, varíola, difteria e óbitos de causa ignorada, o que lhe permitiu computar em cerca de 150 mil óbitos. Repito, foi certamente a mais trágica das epidemias portuguesas que apareceu precisamente numa época de grande agitação política nacional e internacional, agravada sobremaneira pelas dificuldades da vida, resultantes de quatro anos de terror, a Grande Guerra.

            Agora surgiu o CORONAVÍRUS e, como os tempos são muito diferentes, o mal surgiu na China, mas logo no dia seguinte já estava na Europa, nas Américas e noutras partes do Mundo. Há 100 anos demoravam mais, porque a aviação estava nos seus primórdios e o perigo vinha de barco ou de comboio. E este CORONAVÍRUS surgiu de forma inesperada (como todos as outras epidemias) no final da segunda década do século XXI e já ceifou alguns milhares de vidas. É bem verdade que os cuidados e tratamentos atuais são muito diferentes dos de há um ou vários séculos, mas, por outro lado, o perigo de contaminação é muito superior, devido ao facto de, como já foi referido, um indivíduo infetado estar hoje em Lisboa e amanhã na Austrália ou noutro ponto qualquer do planeta. Existe um certo alarme, sem dúvida alguma, mas tenho esperança que os homens da ciência encontrem depressa algo para debelar mais esta epidemia que está a afetar a vida no planeta. As notícias, por vezes empoladas, que entram em nossas casas, fazem-nos pensar seriamente até onde isto irá chegar. É que já não basta o grande problema de aquecimento global e tantas outras “epidemias” provocadas pelo homem, senão agora mais esta para nos atormentar. Para finalizar, recordemos que no reinado de D. João I, Portugal tinha cerca de 1.350.000 habitantes, mas com as guerras, as fomes e as pestes, aquando o espanhol Filipe II de Espanha se tornou Rei de Portugal com o título de Filipe I, o nosso país estava reduzido a pouco mais de um milhão de almas!

Sobre Redacção Registo

Deixar um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.