“Não houve festa como esta”

Por em 6 de Setembro de 2012

Está agora na moda dizer que, pela primeira vez, a próxima geração vai viver pior do que a que a antecedeu. É daquelas “bocas” que se dizem para comprometer o governo em exercício (qualquer um; desde que seja de direita) e apelar a uma mudança nas políticas, que vão desde sugestões oportunas, realistas, exequíveis (só é pena que a maioria reúna apenas uma ou duas destas características) a masturbações mentais com que alguns políticos pretendem fazer prova de vida, e que servem apenas para lhes colocar mais uns palmos de terra em cima.

Se com aquilo se quer dizer que será mais difícil no futuro reformar-se em condições obscenas e com anos de “trabalho” insignificantes; usufruir das benesses de uma parafernália de fundações, empresas, associações, e o que lhe quiserem chamar, de origem estatal, municipal ou qualquer outra, paga por todos nós; beneficiar de um sistema de ensino que promove a ignorância e a indolência; sujeitar-se a um sistema de justiça que protege o infractor e espezinha a vítima; acho muito bem que se acabe com o regabofe.

Em abono da verdade, creio que houve uma ou duas gerações que se apropriaram indevidamente de recursos que poderiam ter sido distribuídos mais equitativamente por várias, e foi isso mesmo que nos conduziu a esta situação, ainda por cima acompanhada com discursos que vomitavam palavras como igualdade, solidariedade, justiça, educação… De facto, não houve festa como esta…

Para ser justo, creio que neste conflito geracional houve uns, poucos, que beneficiaram e outros, muitos, que simplesmente consentiram, e por ironia são, ainda por cima, os primeiros quem mais se revolta e estrebucha, talvez para que não se note muito.

Apesar dos paladinos da afirmação inicial serem quase todos de esquerda, este raciocínio deve ser apenas aplicado às sociedades capitalistas pois nas socialistas o que se tem verificado é que geração após geração se vai vivendo cada vez pior ou, dito de outra maneira, de vitória em vitória até ao desastre final.

Citando mais uma vez o sempre actual Winston Churchill: “ O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual das benesses; o do socialismo é a distribuição por igual das misérias.”

 

Sobre Luís Pedro Dargent

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