Um novo paradigma

Por em 14 de Setembro de 2012

Sou social-democrata convicta, acredito na génese do partido no qual milito há muitos anos, um partido dialogante, aberto à pluralidade de opiniões e defensor da moderação e da convivência pacífica entre homens de credos e raças diferentes, um partido que, apostando na eficácia, valoriza o humanismo, bem como os grandes princípios da justiça, da liberdade e da solidariedade; um partido interclassista, vocacionado para representar as diversas categorias da população portuguesa, e apostado na defesa da cooperação entre as classes sociais como a via mais adequada para a obtenção do bem comum e do progresso coletivo; um partido que aposta no reconhecimento do mérito e na capacidade de afirmação pessoal e social, cada vez mais necessárias na construção de uma sociedade melhor, onde se valorize o individuo como ser individual e onde importa distinguir as capacidades pessoais.

Tendo como ponto de partida o meu agrupamento, sinto-me muito defraudada e apreensiva, acredito que pessoas motivadas, competentes e felizes no desenvolvimento do seu trabalho certamente irão contribuir para a construção de gerações mais capazes de criar uma sociedade mais equilibrada e justa.

A questão que se coloca é como será possível a obtenção de resultados de qualidade, pugnar pelo rigor e pela excelência sem recursos humanos motivados?

A acentuada concentração de recursos humanos (professores com horário zero) com uma enorme diversificação de formação, dando origem a que um mesmo docente lecione diferentes disciplinas e em diferentes ciclos de ensino conduzirá a melhores resultados e sem que para isso se tenham mudado programas, currículos, ou regime de monodocência?

Como se combaterá o insucesso se os docentes que tinham horário nas escolas viram aumentadas as suas horas letivas, o número de alunos por turma e por uma norma que neste momento já não faz sentido (no mesmo grupo não pode haver mais do que um horário insuficiente) estão assoberbados com turmas, alunos, trabalhos e obrigações e outros colegas não lhe é permitido ter turmas para que não haja horários insuficientes? Professores cujos olhos anseiam por ter turmas, alunos, ensinar, que mostraram através do seu desempenho serem ótimos professores !!

No crescimento do número de alunos por turma e de turmas por professor é preocupante um aluno passar a ser um rosto entre muitos rostos, por vezes indefinido, e onde até o nome, porque muitos, será difícil memorizar !!!

Como podemos falar em ensino individualizado, não passarão a haver receitas aplicadas de prescrição única?

Que respostas estamos a dar às famílias? Que sucesso estamos a promover? Que aprendizagens iremos conseguir transmitir? Que cidadãos estaremos a preparar?

Estar hoje na escola é sofrer silenciosamente, porque ninguém nos ouve, a nós que temos tanto para dar, para dizer, para mudar, para construir..

A educação é demasiado importante para que não haja um pacto de concertação entre os vários partidos políticos e a sociedade (pais, empresas, professores, educadores, intelectuais e demais pensantes).

Todos somos importantes na construção de uma melhor escola, de um melhor ensino, ouçam-nos, a escola não pode continuar a ser alvo de contínuas mudanças, tem que ser pacificada, pensada, avaliada calmamente, deixando assimilar primeiro cada nova mudança.

Até quando?

 

Sobre Maria de Lurdes Brito

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