Bastonário dos TOC critica Taxa Social Única

Por em 21 de Setembro de 2012

Domingues Azevedo, bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) esteve na Universidade de Évora como convidado da iniciativa “Gestão aulas abertas”, no passado dia 18 de setembro. O antigo deputado do PS falou sobre a história da profissão de Técnico Oficial de Contas, em Portugal, sobre a realidade dos contabilistas em Portugal e deixou ainda críticas ao governo de Passos Coelho.

Perante um auditório completamente repleto de alunos, Domingues de Azevedo revelou, na primeira parte da sua intervenção, o seu percurso de vida, feito de trabalho, de estudo e de sacrifícios, tendo sublinhado que “não nos devemos conformar com aquilo que temos”, numa alusão à necessidade de lutar pelos objectivos em que cada um acredita.

O Bastonário fez depois referência à sua passagem pela Assembleia da República, onde foi deputado pelo Partido Socialista no círculo eleitoral de Braga, durante cerca de 13 anos, e onde integrou diversas comissões ligadas às questões de ordem fiscal. Nesta sua atividade parlamentar participou na Reforma Fiscal de 1989 que, depois do IVA, que entrou em vigor em 1986, introduziu os actuais impostos sobre o rendimento, IRS e IRC, bem com impostos sobre o património.

Ao longo da palestra, o Bastonário deixou sempre aos jovens uma lição de determinação, onde foi referido a vontade de querer fazer coisas, bem como a necessidade de “termos de gostar do que fazemos”.

Na segunda parte da sua intervenção, Domingues de Azevedo mostrou aos alunos como foi criada a atual Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, que foi iniciada, através de uma comissão de instalação que tomou posse em 1996, segundo uma proposta que lhe foi feita pelo Prof. António Sousa Franco. As peripécias do início desta caminhada foram várias, tendo o orador salientado as “guerras institucionais” que tiveram lugar entre as várias entidades que juntavam profissionais da contabilidade, o que originou grandes dificuldades para arrancar com o processo. A entrada na profissão apenas para pessoas que tivessem uma licenciatura ou bacharelato, a partir de 1999, foi uma das grandes conquistas o que permitiu elevar substancialmente a qualidade do trabalho desenvolvido pelos contabilistas, salientou o orador, referindo que “as empresas também sofrem com maus profissionais”.

Já depois de criada a Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas e quando se pretendia elevar o patamar para chegar a Ordem profissional, as dificuldades cresceram substancialmente por parte do poder político, que foi colocando entraves ao processo. Contudo, Domingos Azevedo revelou a sua capacidade de persuasão e de nunca desistir daquilo que acredita e conseguiu que os deputados aprovassem a criação da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas em 2009.

Domingues Azevedo explicou à plateia que 99,7% do tecido empresarial português é constituído por pequenas e médias empresas. Por isso, lembrou que “a formação dos jovens contabilistas nas universidades tem necessariamente de ser abrangente e ampla, uma vez que os contabilistas das PME são chamados a intervir em várias frentes”.

O antigo deputado socialista comentou ainda a atual situação política nacional, descrevendo a taxa social única (TSU) como “a maior vergonha” e “a maior aselhice política” que viu nos últimos tempos. “É uma vergonha porque estão a tirar dinheiro a quem já tem pouco para diminuir os gastos das empresas e se há uma diminuição de gastos, verifica-se um ganho para as empresas, ou seja, é uma clara manifestação de tirar aos pobres para dar aos ricos e é a maior aselhice que vi na política, porque mesmo que estivesse convencido que era uma coisa boa para o crescimento económico do país, o Sr. Primeiro-ministro ao expor-se assim, ficou sem margem e não sei se terá muitas condições para continuar. O Sr. Primeiro-ministro ou desdiz o que disse e desacredita-se ou então vai ter o Paulo Portas à perna”, frisou Domingues Azevedo.

No final da sessão, o empresário deixou uma mensagem à plateia, maioritariamente composta por alunos do curso de gestão da Universidade de Évora “quando acreditamos nas coisas e quando queremos as coisas, temos obrigação de lutar por elas. Quando o homem quer, Deus ajuda e a obra nasce,” finalizou.

 

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