Capoulas defende apoio ao Centro Dramático

Por em 13 de Outubro de 2011

Reunião de Capoulas Santos, Carlos Zorrinho e Fernanda Ramos surpreende PS.

“Qualquer coisa do género, aqui, seria impensável”. É desta forma que um presidente de câmara socialista (que prefere o anonimato) se refere à reunião mantida por dirigentes do PS com a direcção do Centro Dramático de Évora, sem a presença de qualquer membro do Executivo da Câmara de Évora.
“Algo não estará a correr bem para que uma coisa destas seja possível”, diz a mesma fonte.
Também entre militantes socialistas de Évora causou estranheza que Capoulas Santos, eurodeputado e presidente da Assembleia Municipal de Évora, tenha participado na referida reunião – cujo ponto central foram as dificuldades provocadas ao Cendrev por uma dívida autárquica de 150 mil euros – sem a presença do presidente da autarquia ou de qualquer vereador. “Parece uma estratégia de demarcação relativamente ao rumo da Câmara de Évora mas internamente é um assunto que não foi debatido”, acrescenta a mesma fonte.
Domingo, horas depois de a SIC ter emitido uma reportagem sobre a difícil situação do Centro Dramático de Évora, em resultado do não pagamento dos subsídios da Câmara de Évora desde o segundo semestre de 2009, Capoulas Santos anunciou no Facebook que havia participado enquanto presidente da Federação Distrital de Évora do PS numa reunião com a direcção do Cendrev.
A delegação socialista foi igualmente composta por Carlos Zorrinho, deputado do PS pelo círculo de Évora, e por Fernanda Ramos, ex-vereadora da Câmara Municipal de Évora que deixou o Executivo no final do primeiro mandato liderado por José Ernesto Oliveira.
“O PS reconhece a imperiosa necessidade de garantir a continuidade deste projecto cultural e tudo fará para isso”, diz Capoulas Santos, reconhecendo que o Cendrev, companhia residente no Teatro Garcia de Resende, “tem desempenhado ao longo de três décadas um papel extraordinário no panorama cultural da cidade, da região e do país”.
A companhia conta com 21 profissionais e atravessa uma “situação extremamente difícil devido, em parte, aos constrangimentos do país e do município de Évora”.
“Desejo vivamente que todos os intervenientes encontrem uma solução equilibrada e sustentável para o CENDREV”, acrescenta Capoulas Santos.

Salários em atraso

“Nunca, como hoje, vivemos uma situação tão dramática e, embora tenhamos plena consciência das dificuldades que o país enfrenta, não podemos estar de acordo com os cortes nos já reduzidos valores atribuídos à cultura porque esses cortes, não tendo qualquer impacto no combate aos défices, comprometem irreversivelmente o tecido cultural do país”.
É desta forma que os 21 trabalhadores do Centro Dramático de Évora (Cendrev) resumem a situação da companhia fundada em 1975 e cujo fecho de portas não está afastado, em resultado de uma dívida de 150 mil euros da Câmara de Évora (acrescida da intenção de reduzir em 60% o apoio anual) e de outra de 24 mil euros por parte do Ministério da Cultura (cujo apoio às estruturas profissionais de teatro foi reduzido em 23%).
“Neste quadro de acrescidas dificuldades seria expectável uma atitude de maior atenção por parte da Câmara Municipal no sentido de ajudar a encontrar soluções que minimizassem os nefastos efeitos destas medidas numa estrutura cultural com as responsabilidades do Cendrev. Tal situação, não só não tem acontecido, como temos de constatar que as prioridades do município não têm tido em consideração o trabalho desenvolvido pela nossa companhia”.
Segundo os funcionários, a situação “está a criar enormes constrangimentos à gestão do projecto”, sendo que os profissionais da companhia estão com 2 meses e meio de salários em atraso.

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