Sónia Ramos

Por em 11 de Agosto de 2020
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Vamos lá falar de democracia!

Rui Rio esteve muito bem na questão do Novo Banco!! Há meses que havia questionado, nos tão falados debates quinzenais, o governo sobre a questão da venda dos imóveis do NB a compradores pouco transparentes, sem que o mesmo governo e o então ministro das finanças, hoje responsável pelo banco de Portugal, tivessem respondido a tal questão. Aliás, o que fizeram foi atirar dinheiro dos nossos impostos para cima de um “banco bom”… que de bom parece não ter nada. Onde pára a democracia?  A prestação de contas? As explicações que o governo deve aos cidadãos? A auditoria encomendada…? Os relatórios de avaliação dos bens imóveis? E seus autores? Onde está a democracia quando o primeiro-ministro mente descaradamente sobre os prejuízos para o erário público dos bancos que intervenciona? Em 2009, Sócrates garantiu que os contribuintes não seriam prejudicados com os custos da nacionalização do BPN. Em 20017, Costa garantiu que o NB não teria custos para os contribuintes! Vê-se!! A política financeira do PS e dos seus líderes tem sido absolutamente desastrosa para Portugal e para a credibilidade externa do país! Já para não referir o óbvio: para a nossa carteira! Isto é que deveria preocupar verdadeiramente os portugueses e os políticos. Mas ninguém se indigna!

Onde pára a democracia na Assembleia da República, quando o governo não responde a metade das perguntas que lhe são colocadas sobre o funcionamento da administração pública? Ou respondendo, mente descaradamente, ou responde sem dizer nada! Isto sim, deveria incomodar aqueles que têm opinião sobre tudo e mais um par de botas, sem na maior parte das vezes terem lido, sequer, as propostas que criticam. Sem nunca terem assistido a uma Assembleia Municipal, a uma reunião de executivo camarário, ou a uma sessão da Assembleia da República. Sem nunca terem integrado os órgãos sociais de uma IPSS, ou de qualquer outro tipo de instituição sem fins lucrativos e de nunca estarem disponíveis para ajudar as suas comunidades, ou integrar as listas autárquicas. Ou, daqueles que se encontrando eleitos, nunca fizeram, de facto, rigorosamente nada, nem uma única proposta para melhorar a vida dos seus concidadãos! Democracia? A democracia não se propaga! Pratica-se! É uma história de vida!!

Também me questiono sobre o conceito de democracia na prestação de contas das autarquias locais… na impossibilidade das assembleias municipais fiscalizarem o trabalho do executivo camarário… porque simplesmente não há informação! Não respondem! Não ouvem! Não dialogam! Qual estatuto da oposição!? A letra da lei raramente é visível na prática quotidiana. Temos uma tradição de excelência na elaboração das leis (na maior parte dos casos) mas somos incapazes na sua aplicação! Inaptos, mesmo, porque dá jeito…

Poderíamos, também, discutir o conceito de democracia na comunicação social, na sua isenção face aos partidos políticos, na igualdade de acesso, na distribuição dos tempos, na nomeação dos dirigentes no que se refere à televisão pública, no despedimento dos jornalistas que tiveram a coragem de desmascarar o polvo do PS…

Podemos ainda falar de democracia nas redes sociais e no atropelo aos mais elementares direitos fundamentais que aí se cometem: condenações instantâneas, desabafos épicos e o exercício exímio de tiro ao alvo… No anonimato da globalização digital, todo o cobarde é corajoso.

A democracia em Portugal é uma amálgama de abuso de poder fundida com insegurança e mesclada de autoritarismo bacoco.  E agora com dose reforçada de populismo!

Sónia Ramos

Presidente da CPD de Évora do PSD

Membro da Assembleia Municipal de Montemor-o-Novo

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