Protesto de “indignados” nas ruas de Évora

Por em 14 de Outubro de 2011

Serão realizadas diversas actividades culturais, leitura de textos e de poemas e música, num palco por onde também passará a  intervenção política.

Um grupo de cidadãos e cidadãs de Évora decidiu convocar para o próximo dia 15 de Outubro uma concentração na Praça do Sertório, a partir das 15 horas, integrando assim o vasto movimento mundial que, nesse dia, vai trazer às ruas milhões de cidadãos.
Trata-se de uma iniciativa contra a “ precariedade no trabalho, a falta de transparência na actividade política e a necessidade de um outro modelo económico em que o homem esteja no centro das decisões e não as grandes empresas e companhias para quem o que interessa é a ganância e o lucro desmesurado”.
Nesse sentido foi elaborado um manifesto que vai ser distribuído a toda a população (ver texto nesta página).
A concentração de Évora terá também diversos momentos, desde actividades para crianças (ateliers de animação, música, etc.); uma homenagem a Manuel da Fonseca (de que nesse dia se comemoram 100 anos do nascimento) com leitura de textos, poemas e música; um espaço de assembleia e de intervenção política em que quem o queira poderá usar da palavra.
Por todo o planeta há largas centenas de manifestações e concentrações marcadas para este dia, sem distinção de gerações, nem de raças, nem de credos.
Em Portugal, Évora junta-se a Lisboa, ao Porto, a Faro, a Braga, Coimbra e Angra Heroísmo num protesto feito de muita alegria e de muita música, sob o lema da música de José Afonso: “Traz outro amigo também”.
A iniciativa da adesão a este movimento planetário partiu e está a ser organizada pela  “Assembleia de Rua” do movimento “A Cultura está Viva e Manifesta-se na Rua”,  que se reúne todas as 2ªs feiras na Praça do Sertório, em Évora.

 

“Temos uma palavra a dizer!”

Texto do manifesto que será distribuído à população de Évora no próximo sábado, durante a concentração na Praça do Sertório.

Somos cidadãs e cidadãos livres e empenhados, queremos que a nossa voz se oiça e, ao contrário dos burocratas no poder, temos soluções para a crise!
Sábado, 15 de outubro, centenas de milhar de cidadãos vão sair à rua em todo o mundo para exigir uma maior participação na vida pública, o fim da precariedade e uma maior transparência na actividade política. Por todo o planeta o capitalismo selvagem quer impor a sua ordem. Aqui, na China, nos Estados Unidos, onde quer que seja. Se a opressão é mundial, a indignação e a revolta têm também de o ser a partir daqui, destas ruas, da nossa vida, do nosso quotidiano constantemente agrilhoado.
Todos pressentimos que a Europa e o mundo estão a caminho do desastre por causa de um modelo económico baseado na ganância absurda, no lucro desenfreado, no desperdício sem limites.
Sabemos também que temos apenas uma vida e queremos vivê-la em plenitude. A felicidade não pode repousar nos bens que possuímos ou no número de dígitos a que cresce ou decresce a economia mundial. Ela reside na capacidade que temos de ser dignos da nossa condição: humanos. Na nossa capacidade de construir laços de solidariedade, de igualdade e de fraternidade, numa sociedade sem explorados nem exploradores, sem oprimidos nem opressores. Numa sociedade sem exclusão seja qual for a sua origem.
Somos cidadãos de todas as gerações, mulheres e homens, de todas as minorias, de todas as maiorias, jovens, velhos, gente de corpo inteiro que exige respeito, consideração, gente que não deixa que a levem por tola.

Queremos um desenvolvimento sustentado onde o trabalho, a competência, a honestidade, o respeito pela natureza e pelo meio ambiente sejam os valores fundamentais.

Somos contra a opacidade na vida política, contra a corrupção, contra a democracia limitada e compartimentada em que nos querem enclausurar. A democracia que queremos não se limita ao voto de quatro em quatro anos.
Exigimos, neste tempo das novas tecnologias e da sociedade em rede, novas soluções, novas alternativas que tragam o poder cada vez mais próximo das pessoas, abrindo-lhes horizontes de participação, horizontes de liberdade.
Traz a tua família e os teus amigos. Vamos comemorar também os 100 anos do nascimento de Manuel da Fonseca. E, com o escritor alentejano, dizer às novas gerações: “Levanta os olhos do chão, que eu quero ver nascer o sol”.
Junta-te aos teus iguais.

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