Universidade aposta em pós-graduações à distância

Por em 6 de Outubro de 2011

Primeiros cursos de pós-graduação assentes na plataforma e-learning.

Sofia Ascenso | Texto

As paredes começam a dar lugar aos cabos de rede, os cadernos aos ecrãs de computador, as canetas aos teclados e os livros, esses, podem ser consultados nas bibliotecas digitais, estar armazenados em discos e as páginas viradas com a ajuda do rato.
Nas novas salas de aula do século XXI, professores e alunos não se conhecem pessoalmente. Os contactos são feitos com quilómetros de distância, as discussões acontecem em fóruns online, as dúvidas tiram-se com cliques no rato.
Na Universidade de Évora, o modelo de ensino tradicional, nas salas de azulejos do século XVIII, cheias de alunos sentados atrás de secretárias, também já não reina sozinho. Os muros da academia tornam-se transparentes e são lançados os primeiros cursos de pós-graduação assentes na plataforma e-learning, que é como quem diz, ensino a distância.
Os dois primeiros cursos e-learning que a Universidade de Évora lança em Fevereiro de 2012, em ciclos de ensino em que o aluno tem uma maior autonomia, são um mestrado em Engenharia Informática, que funciona já no regime presencial, e uma pós-graduação interdisciplinar em Ambiente, Sustentabilidade e Educação, numa oportunidade para aqueles que não podem vir à Universidade porque estão longe, e têm emprego, continuarem a sua formação.
Mariana Valente, docente do departamento de Física e membro do Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência, é a directora do Centro de Tecnologias Educativas da Universidade de Évora, uma unidade multidisciplinar que coordena toda a estratégia de e-learning, concebe os conteúdos, recursos e materiais multimédia de apoio ao ensino, coordena e apoia projectos de ensino que envolvam o uso de tecnologias educativas e apoia a formação e desenvolvimento profissional dos professores universitários no domínio das tecnologias de informação e comunicação.
A formação em e-learning e em desenho de unidades curriculares de alguns docentes da Universidade de Évora na Universidade Aberta, instituição de ensino superior pública vocacionada para o ensino a distância, foi um importante passo no lançamento do ensino a distância na UE.
“A ideia não é fazer a transposição do que existe no ensino presencial e passá-lo para online. Trata-se de outra maneira de ensinar e de aprender que exige outro tipo de estratégias, e nisso a Universidade Aberta tem uma larga experiência no ensino onlline e um modelo pedagógico muito elaborado e adequado a esta modalidade de ensino”, refere a professora.
A motivação constante dos alunos é uma das principais preocupações da equipa que trabalha do Centro de Tecnologias Educativas. “Há estratégias do ensino online que não podemos deixar de seguir se quisermos ter um modelo pedagógico de sucesso, para que o aluno não desanime nem desista, uma vez que a investigação realizada nesta área alerta para os perigos da solidão”.
O trabalho cooperativo é outra das técnicas utilizadas, pela interacção permanente entre os colegas, combatendo a sensação de solidão e de isolamento. Ao professor cabe o papel de guia, que vai disponibilizando os recursos e organizando as tarefas semanalmente, dá as ferramentas, apoia e centra a discussão naquilo que interessa.
Em casa, no escritório ou no comboio, o aluno de e-learning, que não tem um horário com aulas marcadas, pode sempre estudar. Mobilidade é a palavra de ordem. O Ipad, Iphone e o telemóvel são, a par com o computador, meios para aceder aos conteúdos disponibilizados pelo e-learning. “Há aplicações pensadas e concebidas especificamente para serem vistos nesses dispositivos.
Uma pessoa pode ir no autocarro para o trabalho e pode usar o Ipad para momentos de aprendizagem, por exemplo” sublinha Mariana Valente.
E é nessa lógica que nasce o conceito “we move, we learn.” O “e” de e-learning e de Évora, o “u” de universidade transforma-se em “we”, de comunidade. O “move” completa o conceito de sociedade em movimento, o movimento de aprendizagem facilitado pelos sistemas móveis.
A flexibilidade é grande em termos de horários, e a exigência também. “A avaliação é semanal” afirma a professora, que põe de parte a ideia de burla ou fraude, quando questionada sobre a autenticidade de quem faz os trabalhos e é sujeito às avaliações. “É muito difícil o trabalho ser feito por outra pessoa porque a intensidade é muita e todas as semanas”.
Com os países de língua oficial portuguesa como público-alvo de futuro, a língua mãe do projecto e-learning, apesar do nome ser em inglês, vai ser o português. “Podemos equacionar  modalidades mistas de ensino e de aprendizagem, online e presencial.”
A extensão a novas áreas de ensino e graus académicos é um dos projectos para o futuro. “Ano a ano vamos estender a outras áreas” afirma a professora que prefere não pensar já nesses termos. O fundamental é, para já, a implantação de todo o conceito e-learning.

 

OCW – Opencourseware

O open course ware é uma plataforma de apoio ao ensino a distância, que permite aos utilizadores aceder livre e gratuitamente às publicações desenvolvidas pelos professores universitários.
A Universidade de Évora foi a primeira universidade portuguesa a integrar o projecto internacional OpenCourseWare Universia, que resulta de um acordo entre o MIT (Massachussets Institute of Technology) e a Universia Portugal.
Trata-se de uma iniciativa que nasceu no MIT e que promove a disponibilização em open source das publicações dos docentes das universidades.
Com a assinatura do protocolo OCW Universia com a UE, Portugal une-se ao projecto no qual já participam várias centenas de universidades prestigiadas do mundo inteiro (MIT, Open University do Reino Unido, Kyoto University, entre outras) e no qual já se publicaram mais de 7000 disciplinas de todas as áreas de conhecimento com livre acesso.

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